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Frost

Frost
12/02/2018

Por que a guerra, de certa maneira, traz uma fascinação para muitos? Os filmes sobre elas, assim como os estudiosos sobre as suas mais diversas facetas, se multiplicam - isso sem falar no mundo dos jogos eletrônicos. Um filme que enfoca a questão com uma crueza surpreendente e inimaginável num primeiro momento é 'Šerkšnas' ('Frost').

 

Dirigido e escrito por Šarūnas Bartas, concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2018 pela Lituânia. Conta como um jovem daquele país aceita ir com a namorada para uma região em conflito na Ucrânia levar alimentos. Na jornada, conhecem jornalistas, soldados e, acima de tudo, têm visões inesperadas das pessoas que se envolvem em conflitos armados.

 

A jornalista, por exemplo, associa diretamente o amor ao sofrimento. A dor estaria vinculada de maneira definitiva com o sentimento de se entregar a alguém ou a alguma causa. Rokas (Andrzej Chyra), o jovem protagonista, discorda, mas talvez o trágico desfecho do filme seja um ensinamento para ambos e para todos nós.

 

Outro encontro é com combatentes numa área em conflito. Um deles desenvolve um interessante raciocínio em que não se morre por uma causa, mas se mata por ela para se manter vivo. Para viver, portanto, muitas vezes é necessário eliminar o outro. E, como aponta o filme, o amor pode sim terminar em tristeza; e a busca por um melhor entendimento, em ausência. Na guerra e na vida,  esse cenário se faz onipresente

 

Oscar D'Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.