
As artes visuais possuem uma linguagem rica em possibilidades. Trabalhar com os procedimentos técnicos que são oferecidos indica não só a técnica do criador, mas principalmente a maneira como deseja se apresentar ao mundo. Cada um desenvolve, pela sua experiência e aprendizado, diferenciais que se materializam no resultado.
Nascida em 1964, em Uruana, e radicada em Goiânia, ambas cidades do Estado de Goiás, Helenilce Gusmão lida com as linhas e com as cores de modo a oferecer uma poética em que o impacto se faz presente desde a primeira impressão. É um trabalho a ser visto com atenção e a uma certa distância, pois o todo gera uma peculiar percepção.
Trata-se de um sentimento de pertencimento ao mundo. Queremos, enquanto observadores o quadro, estar naquela realidade que é apresentada. Há nela fantasia, e claro, mas também realidade reconhecível. Evidencia-se a mente e a mão de um artista que interpreta o mundo.
Isso significa que, seja nas obras figurativas ou nas abstratas, existe em Helenilce um processo criativo marcado pelo conhecimento do que se faz rumo a uma integração entre quem produz e quem vê. As conexões podem ser as mais diversas possíveis, mas geralmente são regidas pela convicção de que ser artista é transmitir inquietações e perguntas.
Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura.