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Newton

Sabedoria em tom de fábula
Newton
10/02/2018

Concorrente indiano ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2018, 'Newton', de Amit Masurkar, é praticamente uma fábula, em que o cômico, que parece surgir no começo da obra, dá lugar a uma interpretação trágica da política do país, das relações humanas e da dificuldade de vencer sistemas autoritários.

 

Movido por seu idealismo, o protagonista Newton, que adota esse nome para escapar de bullying com o seu nome verdadeira na língua original, oferece-se para atuar nas eleições locais. O destino o leva a ocupar a presidência de uma mesa eleitoral em uma região isolada em meio à selva geográfica e a um sistema corrupto.

 

O problema central que o filme coloca é que o protagonista apresenta-se - e é logo percebido - como o mais honesto dos seres - e os conflitos são inevitáveis. Ele leva a sério o princípio do nome adotado, ou seja; para as leis físicas, corpos iguais de um político poderoso ou do membro da mais baixa casta cairão exatamente do mesmo jeito devido à lei da gravidade.

 

Como bem aponta uma das integrante de sua seção eleitoral, as mudanças podem era ocorrer, mas são lentas e graduais. Newton tenta apressar o processo - e isso gera sequelas. O tamanho delas o filme deixa em aberto, embora aponte para a necessidade de estratégias adequadas para mudar o mundo. É a sabedoria milenar da Índia em tom de fábula. Imperdível!

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura.