
As imagens de Maria Lizete Correia causam impacto pela presença do feminino. Seres mágicos são estabelecidos de maneira surpreendente num universo de cores e curvas que evocam aquilo que o ser humano tem de melhor: a sua capacidade de criar e de escapar da realidade cotidiana. Nascida em Barbalha, CE, em 12/3/1947, a artista tem uma biografia que corre o risco de superar a obra.
Aos 16 anos, após um surto psicótico que durou cerca de um ano, e incluiu eletrochoques como forma de 'tratamento', encontrou a paz interior seguindo a doutrina espírita de Allan Kardec no Centro Espírita Rafael.
A obra resultante desse processo individual de busca e de encontro com seus anjos e demônios interiores traz uma jornada peculiar com canetas hidrográficas e utilização de saliva nos dedos para misturar as cores. O que surge é uma linguagem própria, caracterizada por uma arte que se faz no presente, mas se concretiza na atemporalidade. Maria Lizete Correia oferece ao observador uma jornada sem volta.
Cada desenho que apresenta tem a sua história interior, impenetrável e, por isso mesmo, universal. Suas felicidades e dores de estar no mundo ganham nas imagens um sentimento que derruba barreiras entre pessoas em nome de percepções da existência que falam sobre todos nós.
Oscar D'Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.