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O jantar

O jantar
08/02/2018

Dizem que de perto ninguém é normal. O filme 'O jantar', dirigido por Oren Moverman, ilustra essa máxima com rara crueldade e perfeição. Ao marcarem um jantar num elegante restaurante, dois casais discutem um crime cometido pelos seus filhos adolescentes e as questões sociais, morais e éticas que o envolvem.

 

Irmãos, os dois maridos têm personalidades antagônicas: um deles é político num processo de eleição; e o outro, professor de história, misantropo e com uma patológica obsessão por guerras. Suas esposas, respectivamente, são, respectivamente, bem distintas: a ex-estagiária apaixonada e ambiciosa (ou vice-versa); e a mãe dedicada que enfrentou uma luta contra um câncer.

 

A riqueza de assuntos é imensa, mas o tema mais tenso da noite, é claro, está no destino dos jovens. Devem pagar pelo que fizeram como qualquer pessoa? Ou as família devem usar as suas influências para abafar o caso e impedir a merecida pena? Onde esses limites terminam e se misturam?

 

Um grande tópico está na arte do diálogo. Não só o filme mostra a dificuldade do que deve ser dito, mas discute como isso acontece - ou. muitas vezes, como isso não se realiza. Nesse sentido, a metáfora do jantar é apropriada. Assim como uma refeição requintada tem rituais e partes, a conversa tem códigos. Respeitá-los ou não constitui  um dos desafios que o filme propõe.

           

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura.