textos

diárias de bordo

Canto de Desalento na Estação Cerrado, de Marly Gribel

Canto de Desalento na Estação Cerrado, de Marly Gribel
22/04/2021

Espécie de cerâmica branca menos rica em caulim que a porcelana, a faiança fornece diversos recursos plásticos para se obter variados efeitos.

A série “Canto de Desalento na Estação Cerrado”, de Marly Gribel, mergulha justamente nessas possibilidades.

Em certos momentos de exaltação, se vale das cores mais quentes, para indicar a força do verão ou a delicadeza da primavera.

Em outros, como outono e inverno, há um rebaixamento das tonalidades para gerar atmosferas em que predomina o ambiente seco, o silêncio e a desolação.

O conjunto de trabalhos aponta justamente para a alternância entre aquilo que a vida oferece de mais intenso e as suas facetas mais tristes.

O eterno ciclo das quatro estações do bioma do Cerrado faz refletir sobre o próprio andamento da vida, com suas etapas de nascimento, maturidade, envelhecimento e morte.

Do mesmo modo, as cerâmicas de Marly Gribel expressam o contínuo fluir da natureza e da existência humana.  

Oscar D’Ambrosio