
Historicamente, os escritores e artistas plásticos sempre estiveram à frente da ciência. Basta lembrar, respectivamente, nomes como Julio Verne e Leonardo da Vinci. Em ambos os casos, anteciparam, em muitos anos, avanços e, acima de tudo, estimularam o gênero humano com a sua capacidade de sonhar.
Rita Biagi, com seus desenhos e tinta acrílica sobre algodão e impressões sobre tela, revisita o governo de Maurício de Nassau, com criatividade e certa ousadia. Retoma, nesse sentido, os mapas do período em que o conde liderou a colônia holandesa no Nordeste. Sediado em Recife, de 1637 a 1644, o empreendimento deixou experiências que a artista recupera.
Nassau ficou célebre pelos trabalhos de cientistas e artistas que, sob seu patrocínio, exploraram e pintaram a terra brasileira e seus habitantes. Nesse esforço de juntar o que havia de melhor para interpretar o Novo Mundo, deixou um importante legado, que merece releituras constantes.
A abordagem que Rita Biagi faz da breve aventura holandesa no Brasil constrói uma cartografia visual de emoções, lembranças, seleções pessoais e almas. As técnicas escolhidas preservam essa atmosfera, numa bem guiada viagem que mescla história e tradição, por um lado, e ousadia e modernidade, pelo outro.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.