
São raras as oportunidades que temos de ver um filme da Islândia. 'A Sombra da Árvore', dirigido por Hafsteinn Gunnar Sigurdsson, concorrente do país ao Oscar 2018, demonstra o ponto de degradação e violência a que seres humanos podem chegar por questões cotidianas.
Dois casais vizinhos entram numa autêntica batalha pelo fato de a sombra da árvore do jardim de um deles fazer sombra no alpendre do outro. Essa disputa, porém, com final trágico para todos, esconde e desvela os dramas existenciais de cada um. As tensões guardadas são potencializadas em cenas de descontrole emocional.
A árvore está do lado de um casal que convive com o suicídio de um filho, a separação tumultuada do outro e o desaparecimento do gato que consola a esposa. Quem recebe a sombra vive nas trevas pela busca de gerar um filho. Todas essas frustrações são despertadas por uma simples disputa cotidiana.
O filme alerta para o fato de que aquilo que imaginamos ser o motivo de nossas atitudes, na maioria das vezes, não passa de uma aparente desculpa para os motivos mais profundos, os conflitos mal resolvidos internos e externos. Assim, a razão se torna desrazão, e a capacidade de diálogo se perde pela intempestividade.
Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura.