
O trabalho de Di Magalhães, principalmente o realizado com bico de pena, escolhe uma ótica em que os locais representados são identificáveis. Isso, porém, não impede que sua visão esteja presente, principalmente quando se trabalha com uma técnica em que alguns elementos são essenciais, como o jogo entre o preto da tinta e o branco do papel.
É estabelecido assim um universo plástico marcado pelas formas como as áreas são preenchidas. Inicia-se um processo de escolhas permanentes, em que cada seleção de caminho significa a recusa de outro. Assim, começa a ser construído um processo enriquecedor para quem faz e para quem vê.
As artes visuais proporcionam justamente essa caminhada por uma vereda instável. Cada um encontra o equilíbrio pela maneira como se posiciona perante o que vê e o que deseja fazer. Di Magalhães, em seus trabalhos sobre Vila Boa de Goyaz, GO, e Curitiba. PR, obriga a pensar sobre tudo isso. E como vale a pena!
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.