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Ro Siqueira: a arte de correr riscos

A versatilidade constitui um grande desafio para os artistas plásticos, ainda mais  quando o mercado e as galerias acabam exigindo muitas vezes alguma determinada linha de trabalho. Cabe a cada profissional estabelecer a própria trajetória no sentido de satisfazer, acima de tudo, seu conhecimento visual.
            Ro Siqueira provém de um universo de imagens em que a cultura popular é muito forte. Conviveu, em Olinda, com uma experiência ancestral vinculada à xilogravura, tanto no que diz respeito à eleição de temas como naquilo que tange à forma de trabalhar as matrizes de madeira.
            Boa parte dessas questões é levada pela artista para o universo do tridimensional. Sãs obras são marcadas pelo figurativo e pela expressividade, num processo em que a modelagem é essencial como vínculo telúrico não só com as forças da natureza, mas também com aquilo que cada um tem a dizer sobre as relações humanas.
            Um ponto determinante da poética visual de Ro Siqueira é a maneira de conceber a sua arte, de certo modo, como uma interferência no mundo regida por uma deformação, seja por um certo humor ou pela maneira de ver a realidade sempre de maneira plástica, o que significa ter a coragem de correr riscos.