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POSSIBILIDADES DE PARCERIAS ENTRE BRASIL E HOLANDA

INTRODUÇÃO
HISTÓRIA
INFLUÊNCIA
LITERATURA COLONIAL
PÚBLICO DE LEITORES
QUANTOS LÊEM
QUEM LÊ
BAIXAS TIRAGENS
PRODUÇÃO ELITIZADA
VALOR SOCIAL DA LEITURA
PERSPECTIVAS
LIVRARIAS
FREQÜÊNCIA DAS LIVRARIAS
DISTRIBUIÇÃO DO LIVRO
MERCADO LIVREIRO
CONCENTRAÇÃO DE MERCADO
TIPOS DE EDITORA
SITUAÇÃO DO MERCADO
PREÇO
POLÍTICAS PÚBLICAS
INSTITUIÇÕES
                        Academia Brasileira    
                        Câmara Brasileira do Livro
BIENAIS DO LIVRO
                        Bienal Internacional de São Paulo
                        Bienal do Rio de Janeiro
                        Bienal Internacional do Livro de Pernambuco
                        Bienal do Livro de Minas
                        Bienal Internacional do Livro do Ceará
                        Bienal Nacional do Livro de Natal
                        Bienal do Livro São José do Rio Preto
                        Bienal Nacional do Livro da Paraíba
AVALIAÇÃO DAS BIENAIS E FEIRAS DO LIVRO
                        Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
                        Festival Internacional de Poesia – Dois Córregos
                        Festival da Mantiqueira – Diálogo com a Literatura
ROMANCES TRADUZIDOS EM PORTUGAL
LIVROS HOLANDESES NO BRASIL
AUTORES HOLANDESES QUE MERECEM TRADUÇÕES
PANORAMA DA PRODUÇÃO BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
                        História de uma espera
                        Traição: um jesuíta a serviço do Brasil holandês
                        Guerra, açúcar e religião no Brasil dos holandeses
                        Provos: contracultura em Amsterdam
PROJETO BILÍNGÜE
COPA DA LITERATURA BRASILEIRA
POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
NOVAS MÍDIAS
            SITES BRASILEIROS NA HOLANDA
BLOGS
LITERATURA E ARTES VISUAIS
                        Johann Gütlich
                        George Gütlich
LITERATURA E CINEMA
CINEMA E OFICINA LITERÁRIA
CONVÊNIO
SÍNTESE DAS SUGESTÕES
O AUTOR
 
 
            POSSIBILIDADES DE PARCERIAS BRASIL – HOLANDA
 
            INTRODUÇÃO
            As ligações culturais entre a Holanda e o Brasil provêm do século XVII com a presença holandesa no Nordeste que deixou muitas marcas históricas. Atualmente a Holanda é um dos principais poderes econômicos da Europa. Também é um dos maiores investidores estrangeiros no Brasil, mas, apesar da forte presença de empresas holandesas no Brasil, como a Shell, ABN-AMRO, Philips e C&A, existe no país uma falta considerável no que diz respeito a pessoas que dominam a língua e conhecem a cultura holandesa.
            Outro fator a ser levado em conta na aproximação entre a Holanda e o Brasil é que, emboraentre 1819 e 1940 tenham entrado no Brasil 4,8 milhões de imigrantes – 60% deles no Estado de SãoPaulo –, a colônia holandesa é muito pequena. Os pioneiros imigrantes holandeses mais formalizados quese têm notícias no século XX chegaram a terras brasileiras apenas em maio de 1948.  Em São Paulo, porexemplo, a capital cultural do País, contam apenas cerca de 5 mil pessoas, concentradas no Bairro doJardim Paulista.
 
            HISTÓRIA
            A relação entre Brasil e Holanda, portanto, tem suas raízes no período colonial. Por duas vezes, na Bahia (1624 a 1625) e em Pernambuco (1630 a 1654), os holandeses tentaram fixar residência no Brasil, fundando fortificações, cidades, museus e centros de ciência e arte. Gerou-se até um sentimentode que eles teriam sido melhores colonizadores para o Brasil que os portugueses.
            Essa hipótese nunca será verificada, mas, de qualquer modo, a miscigenação de holandeses comíndios, mamelucos, mulatos e negros, geraram os olhos verdes de boa parte dos imigrantes de origemnordestina, principalmente pernambucana que vivem hoje em São Paulo.
            O local onde a cultura holandesa é melhor lembrada está no interior do Estado de São Paulo, nocentro de cultivo de flores chamado Holambra, que se tornou cidade em 31 de dezembro de 1991, comuma denominação que mescla Holanda, América e Brasil. O lugar é responsável por significativa parte daexportação nacional de flores e recebe mais de 200 mil visitantes a cada ano.
 
INFLUÊNCIA
            Embora fracassada, a tentativa da Holanda de se estabelecer no Brasil no Nordeste, deixou umimportante resquício arquitetônico: as pontes e os canais de Recife, que marcaram a presença holandesa no Brasil. Os holandeses também são mencionados na literatura de cordel, nas tradições ligadas ao cicloaçucareiro e em elementos de confeitaria e laticínios.
            Poucos sabem ainda que uma palavra de uso comum no Brasil tem sua origem na Holanda. Ovocábulo “gás”, ao contrário do que muitos pensam, não vem do alemão, mas da Holanda, sendo cunhadoa partir da palavra “caos”, no começo do século XVII, pelo químico flamengo Jan Baptista van Helmont.
 
            SUGESTÃO 1
            Fomentar o ensino de língua holandesa no Brasil. Isso pode ser feito, por exemplo, porintermédio de Michel Armand Koopmans. Radicado no Brasil desde 2006, após terminar o mestrado emlíngua e cultura portuguesa na Universidade de Utrech, natural de Den Helder, ele emigrou em 2006 parao Brasil. Estudou língua e literatura holandesa na Universidade de Amsterdã entre 1998 e 2000.
Em Portugal, estudou língua portuguesa na Universidade do Porto (2001) e na Universidade de Coimbra (2003). Em 2004, passou um semestre estudando na Universidade Federal do Rio de Janeiro, naárea de Letras Vernáculas. 
Professor de holandês formado pelo instituto de línguas IPFEL, no Porto, em 2002, tem ministrado aulasparticulares e em grupo do idioma desde então. Reside no Rio de Janeiro. Contatos: (21) 2570 3605 e (21) 9981 8557 ou pelo e-mail: makoopmans@gmail.com
 
            LITERATURA COLONIAL
            O fato é que a literatura holandesa é pouco conhecida no Brasil, pois poucas obras foram traduzidas. Isso se torna mais premente em relação aos textos dos primeiros viajantes que acompanharam Maurício de Nassau quando da invasão holandesa no Nordeste brasileiro. Entre eles, estão Marcgrave, Pisoe Laet, dos quais não se encontra edições em língua portuguesa.
            Cabe pontuar que, na introdução do livro Olinda conquistada, do Reverendo Baers, o historiador Alfredo de Carvalho afirma que “nenhuma fase da história nacional possui tão abundante literatura como o atribulado período da dominação holandesa no Brasil Oriental”.
Ele acrescenta ainda que G. M. Asher relaciona, no seu A bibliographical and historical essay(1854), mais de 200 publicações referentes ao Brasil, que encontrou na seção denominada Bibliotheca Duncaniana da Real Biblioteca da Haia. Informa ainda que “continuamente se descobrem novas espéciesque escaparam ao operoso investigador”.
 Outro dado relevante é que a historiografia do período da invasão holandesa (1630-1654) é umdos mais vastos dos cinco séculos da História do Brasil, segundo o historiador José Honório Rodrigues,autor de Historiografia e bibliografia do domínio holandês no Brasil (Rio de Janeiro: Instituto Nacional doLivro; Departamento de Imprensa Nacional, 1949).
            Ressalte-se que a grande maioria dos relatos produzidos por holandeses sobre o Brasil está focada unicamente ao período conhecido como a Segunda Invasão Holandesa, ou seja, a ocorrida em1630, em Pernambuco. Sobre a primeira, a de 1624, na Bahia, o único documento que resta é um pequenotexto do holandês João Gregorio Aldenburck.
Intitulado Relação da conquista e perda da cidade de Salvador, foi publicado originalmente em Coburgo, cidade natal do escritor, em 1627.  A vida do autor é um mistério, pois sabe-se apenas que iniciou seus estudos na Universidade de Iena, mas não os concluiu, já que preferia o mundo das aventuras ao dos estudos.
            Em 1623, Aldenburck alistou-se na expedição de invasão do solo brasileiro, que se deu no anoseguinte. Ele participou da ocupação de Salvador, então capital da colônia, e escreveu sobre os hábitos ecostumes que via. Ao voltar para a Europa com a expulsão dos holandeses, o aventureiro escritor junta-se ao exército do rei Cristiano IV, da Dinamarca, para lutar na Guerra dos Trinta Anos. Permanece emcombate por quatro meses, retornando para onde nasceu com o objetivo de publicar sua jornada no Brasil.
            O esforço valeu a pena. O texto foi incluído nos grandes livros publicados na Alemanha sobrejornadas e aventuras. Em 1634, ocorreu a tradução ao latim e somente em 1930 foi realizada suareedição. Em 1938 Clemente da Silva Nigra, no volume 26 dos Anais do Arquivo Público da Bahia, publicoupela primeira vez em português  uma tradução parcial desta obra.
            No início do século XXI, coube ao poeta Florisvaldo Matos cantar, num tom épico-lírico, versos sobre a invasão holandesa à baía de Todos os Santos. O material está disponível no volume Mares anoitecidos (Imago Ed./ FCBa, 2000).
 
            SUGESTÃO 2
            Elaborar um projeto de tradução da literatura dos viajantes portugueses que vieram ao Brasil com Maurício de Nassau. Isso pode se tornar numa coleção com edições anuais, por exemplo.  A fonteprimordial está na seção denominada Bibliotheca Duncaniana da Real Biblioteca da Haia.
 
PÚBLICO DE LEITORES
Qualquer tentativa de realizar parcerias entre Brasil e Holanda na área literária  exige um melhorentendimento do mercado de livros. É animador verificar que, nos últimos anos, o Brasil comemora a quedacrescente dos índices de analfabetismo e que a Associação Nacional dos Livreiros constatou que, de 2006para 2007, a venda de livros cresceu 15% motivada principalmente pelos novos e jovens leitores. 
Os principais motivos desse aumento seriam, ao que tudo indica, a isenção de alguns impostossobre o livro e o maior poder aquisitivo das classes C e D, que passaram a comprar mais livros,principalmente para as suas crianças.  Soma-se a isso que muitos colégios terminaram com a prática deque todo mundo tinha que ler o mesmo livro. O estímulo a que cada estudante leia o que deseja, ao quetudo indica, aumentou a vontade de ler.
Segundo pesquisas patrocinadas pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL –http://www.snel.org.br), Câmara Brasileira do Livro (CBL – http://www.cbl.org.br) e AssociaçãoBrasileira dos Fabricantes de Papel e Celulose (http://www.bracelpa.org.br), o público de leitores, no Brasil, chega a 26 milhões de pessoas.  
Esse número é equivalente aos leitores somados de Espanha e Portugal, ou 11% a mais do que osleitores existentes na França. Parece muito, mas representa apenas 30% dos 86 milhões de leitores empotencial (pessoas com mais de 14 anos, que são alfabetizadas, segundo os dados do IBGE) existentes nopaís.
Desses 26 milhões de pessoas que afirmam se interessar pela literatura, apenas 17,2 milhões têmacesso efetivo ao livro; e nove milhões de pessoas não lêem porque não têm dinheiro para gastar comlivros ou moram em cidades onde não existem livrarias e bibliotecas. Entre os que vivem nos grandescentros metropolitanos, os motivos alegados para não ler são falta de tempo e dinheiro.
 
QUANTOS LÊEM
            Um dado preocupante é que, segundo a CBL, apenas 25% dos brasileiros, com idades entre 15 e 64 anos, têm habilidade plena de leitura. Dentro da mesma faixa etária, 8% são analfabetos absolutos; 30%, capazes de entender informações simples; e 37% lêem e entendem textos curtos. Outro dado é que74% dos pais ou responsáveis por estudantes brasileiros nunca ou raramente lêem livros e, enquanto na França cada habitante lê, em média, sete livros por ano, no Brasil o número é de apenas 1,8.
            Se por um lado, o mercado livreiro está crescendo, no Programa Internacional de Avaliação deAlunos (Pisa), que mediu o desempenho de 250 mil estudantes de 15 anos em 32 países, os brasileirosficaram em último lugar. O aumento do consumo do livro, portanto, não está associado a uma elevação dopadrão e da qualidade da leitura. A esperança está, nessa linha de raciocínio, no investimento nosegmento do público infantil.
 
            QUEM LÊ
            Entre os leitores efetivos, aqueles que lêem ao menos um livro em três meses, 51% são homens contra 49% de mulheres. Eles chegam a 30% dos letrados, algo como 25,8 milhões de brasileiros, com destaque para os grupos mais jovens, mais letrados e mais endinheirados.
            Entre pessoas com curso superior, o livro é presença quase quatro vezes mais comum que entreos brasileiros cuja referência escolar se situa entre a 1ª e a 4ª série do ensino fundamental. Situaçãosimilar ocorre quando se comparam os mais ricos aos mais pobres: a presença do livro é quase três vezessuperior entre os primeiros. A conclusão é evidente: quanto mais freqüenta o banco escolar, mais ocidadão necessita de leitura.
            Escolaridade, nível socioeconômico e até hábitos dos pais influenciam na formação de leitores.Por isso, o Brasil  tem de melhorar as condições de acesso ao livro se quiser multiplicar sua base deleitores. Aproximadamente 47% dos entrevistados têm no máximo dez livros em casa, e o número deexemplares que repousam sobre a estante de dois terços dos brasileiros não passa de 25.
            Esse dado precisa ser cruzado com a informação de que, no Brasil, o acesso gratuito ao livro é limitado. A rede pública de bibliotecas ronda hoje as 4.600 unidades - menos de uma biblioteca pormunicípio, segundo números da Secretaria do Livro e da Leitura do Ministério da Cultura(http://www.cultura.gov.br). E caberia a ela irrigar uma vastidão de potenciais leitores das classes maisbaixas. Para isso, é indispensável ampliar e renovar o acervo constantemente.
 
            SUGESTÃO 3
            Um caminho para difundir a literatura holandesa é verificar a possibilidade de editar algunstextos importantes, preferencialmente voltados para os jovens, e distribuí-los gratuitamente pelasbibliotecas públicas. Uma tiragem de 5 mil exemplares em edição de bolso seria recomendável.
 
BAIXAS TIRAGENS
Existem dois Brasis que se refletem no mundo do livro: uma elite sofisticada, com índices de leiturasemelhantes aos do Primeiro Mundo, e um grande contingente de pessoas mal alfabetizadas, que não lêempelos mais diversos motivos. Desse modo, conclui-se que o livro interessa e atinge apenas a uma pequenafaixa da população.
            O livro, enquanto produto, no entanto, só se torna competitivo se tiver uma ampla tiragem. Amédia no Brasil é de 2 mil exemplares por edição. Com poucos pontos de distribuição e desaparecimentode pequenas livrarias, a possibilidade de fazer uma grande tiragem é reduzida. A conseqüência é oaumento do preço do livro.
Nas grandes cadeias livreiras, por exemplo, livros de pequenas editoras – que não dão retornocomercial,  não são nem aceitos. O mercado tende assim a virar a indústria do best seller, em que oslivros de venda lenta, de autores mais sofisticados, encontram cada vez menos espaço. A preservaçãodas pequenas livrarias, nesse universo, não é romantismo, mas preocupação com a pluralidade ediversidade de títulos, de características, de idéias e de pequenos editores.
 
PRODUÇÃO ELITIZADA
Portanto, as tiragens são baixas, e o custo unitário é alto. Com baixas vendas, as tiragenscontinuam baixas e a produção se elitiza. Em paralelo, há centenas de cidades brasileiras onde ospossíveis leitores não encontram sequer um local onde possam pegar emprestado ou comprar livros.
Sendo o livro visto como algo caro e supérfluo, a biblioteca pública, desempenharia um papelfundamental na sua popularização, pois significa exemplares gratuitos na mão do povo e o acesso efetivodo público de baixo poder aquisitivo ao hábito da leitura.
 
VALOR SOCIAL DA LEITURA
Embora uma parcela de 60 milhões de brasileiros letrados não tenha tempo, dinheiro ou vontade deler livros, 89% deles reconhecem que a leitura é importante e pretendem incentivar os filhos a ler. Oinvestimento nos novos leitores é, sem dúvida, o caminho do futuro.
Entre as idades de 14 e 19 anos, 45% dos brasileiros lêem regularmente, um índice que caiprogressivamente em função da idade, já que apenas 24% mantêm o hábito quando passam dos 40 anos.Isso tem certamente relação com o fato de os índices de permanência e aprovação nas escolas públicas aumentaram muito nos últimos dez anos.
Um complicador é que parte dos jovens alfabetizados, conforme foi ressaltado,  não conseguecompreender frases longas, embora decifre o significado isolado das palavras. Afinal, saber ler não ésuficiente para ter-se familiaridade ou convívio permanente com a leitura. Não basta, portanto, ter novosalfabetizados se eles apenas assinam o próprio nome e lêem frases curtas.
 
            PERSPECTIVAS
            A informação que 61% dos brasileiros associam a leitura ao prazer é animadora, assim como a de que 62% lêem livros, com maior ou menor freqüência. Isso equivale a dizer que cerca de 53,3 milhões depessoas leram ou consultaram algum exemplar. Esse último percentual em Portugal é de 53%.
            Haveria então um enorme mercado a ser explorado, pois apenas 20% dos brasileiros foramresponsáveis pela compra, em média, de 5,92 livros não-didáticos por ano. Restaria, portanto, atingir osdemais 80% de brasileiros que lêem, mas não consomem. Essa tentativa vem sendo feita com  a entradano mercado brasileiro de grandes empresas espanholas.
            Dados como que 78% apreciam o livro e 89% vêem nele um meio de transmissão de idéiasdevem, no entanto, ser vistos, com ressalvas, pois existe um poderoso estereótipo de que ler é positivo.Isso pode levar as pessoas a dizer, em pesquisas, que lêem apenas para passar uma imagem socialmentefavorável. De qualquer modo, haveria nelas – o que é positivo –  uma represada vontade de ler.
 
            LIVRARIAS
A partir dos dados de distribuidoras, sabe-se que o número de “pontos de venda” no paísultrapassa os 2.200, sendo pelos menos 1.800 deles livrarias, ou seja, espaços comerciais que dedicam aolivro uma atenção prioritária ou muito significativa. A metade fica no Estado de São Paulo, cuja capitaltem aproximadamente 200 livrarias, vindo depois o Estado do Rio de Janeiro, com 150 livrarias. Issocomprova que o mercado editorial se concentra na região Sudeste do País.
Esse dado, todavia, diz pouco em termos absolutos. O que conta é saber quantas pessoas umalivraria serve em média. No Brasil, uma livraria atende, em média, 84.500 pessoas, enquanto, na Argentina,por exemplo, esse dado beira a 50 mil pessoas e, nos EUA, 15 mil. Além disso, cidades com quase cem milhabitantes não têm nenhuma livraria ou bibliotecas decentes.  
            Enquanto São Paulo se caracteriza pelas grandes livrarias, como a Cultura ou a Fenac, o Rio deJaneiro tem seu ponto forte com numerosos locais de grande qualidade, mais alternativos, como a Leonardo da Vinci, a Padrão, a Argumento, a Letras e Expressões, a Timbre, a Malasartes, a Dantes e aTravessa do Centro.
            A questão financeira é complexa. O livro não é simples de ser trabalhado. São 20% da produçãoque sustentam os outros 80%. Uma livraria existe se consegue trabalhar esses 20%, que são os livros devenda rápida, aqueles que quando vai ser paga a duplicata da editora, o dinheiro da venda já está emcaixa. Com os outros 80%, o pagamento é feito com o título ainda na estante.
            As editoras ganham, em síntese, cada vez mais sobre cada vez menos livros. A saída para asobrevivência, em consonância com a situação, vem sendo investir onde o retorno parece menos frágil, ouseja, publicar os medalhões consagrados; apostar em autores internacionais e, assim, atrofiar cada vezmais a boa literatura que se faz no Brasil.
 
FREQÜÊNCIA DAS LIVRARIAS
Os números sobre a distribuição de livros indicam, ainda, que a demanda por leitura não é sólida obastante para permitir livrarias capazes de se sustentar por todo o País. Um problema para isso seria queo mercado livreiro está privado de um segmento de grande importância econômica, responsável pelacriação de novos leitores: os livros didáticos, vendidos diretamente pelas editoras ao Estado.
É possível, por exemplo, que uma pessoa que tenha começado a ser alfabetizada em escola públicana década de 1990 nunca não haja entrado numa livraria até a pós-graduação, pois, a partir do ensinofundamental na escola pública, ela recebe diretamente do governo os livros de cada ano letivo, incluindo-se aí não-didáticos, como por exemplo clássicos da literatura e infanto-juvenis.
Se o ensino médio for realizado numa escola particular, isso não muda muito, pois é cada vez maiscomum comprar os livros necessários na própria escola. As editoras negociam diretamente com asinstituições de ensino preços mais baratos para grandes remessas.
Na preparação para o vestibular, o cursinho oferece apostilas de português, física, literatura ouqualquer outra matéria com o preço das mensalidades. Na faculdade, seja graduação ou pós-graduação, aprincipal fonte de leitura são capítulos fotocopiados de livros e apostilas customizadas. Ao concluir osestudos, portanto, essa pessoa, com cerca de 30 anos, nunca precisou entrar numa livraria, onde sãovendidas as obras de literatura.  
 
DISTRIBUIÇÃO DO LIVRO
A distribuição é uma guerra diária de todos contra todos. Grandes editoras compram espaços nas livrarias e convivem com uma alucinante rotatividade de lançamentos. As editoras médias, por sua vez, precisam dar descontos elevados para conseguir que os seus livros fiquem nas lojas. Quanto às editoras pequenas, só conseguem algum espaço, mínimo, se tiverem acordo com uma distribuidora, que pode até ser uma editora ou um grupo de editoras ou, ainda, apenas distribuidora.
Nesse contexto, a principal dica para os novos autores é utilizar a internet para divulgar o seutrabalho e o seu nome. Se quiser realmente ter o seu livro impresso, tentar editoras grandes num primeiromomento trata-se geralmente de jornada infrutífera.
É melhor buscar formas de parceria com editoras médias ou pequenas que tenham canais dedistribuição apresentados de forma transparente. Se houver resposta positiva comercialmente, haverátambém alguma visibilidade, e os olhos das grandes editoras poderão se voltar para a direção dele.
 
            SUGESTÃO 4
            Se a idéia é divulgar a literatura holandesa no Brasil em livrarias comerciais, é preciso elaboraruma estratégia que não leve em conta apenas a produção do livro, mas, principalmente, a suadistribuição. Torna-se essencial pensar como esse livro pode chegar aos mais jovens. A decisão maissábia parece ser trabalhar com material de baixo custo e ampla tiragem. A busca de temas adequadospara esse público também é fundamental. 
 
 
MERCADO LIVREIRO
Comprando direto das editoras, o governo federal retira das livrarias a venda de cerca de 25% detoda a produção de livros. Ocorre ainda a mencionada venda direta dos livros às escolas feita pelaseditoras e a compra direta nas editoras dos livros para as bibliotecas.  Esses três fatores associadosimpedem o crescimento das livrarias no País.
A Câmara Brasileira do Livro encomendou um estudo que mostra um cenário hipotético em que ametade das compras do governo é feita na rede de livrarias brasileiras. Isso, em cinco anos, levaria aquintuplicar o número de pontos de venda de livros.
Se compararmos o mercado livreiro do Brasil com o de outros países, um detalhe chama a atenção: o Brasil tem o terceiro programa governamental de compras de livros do mundo, com aproximadamente 176 milhões de exemplares adquiridos por ano. Apenas China e EUA têm programas mais generosos que o do governo brasileiro. Outro dado preocupante é o baixo consumo da população, pois o volume decompras do brasileiro equivale a apenas 30% dos americanos e 34% dos chineses.
 
CONCENTRAÇÃO DO MERCADO
O mercado vive ainda uma preocupante concentração. As grandes cadeias conseguem daseditoras vantagens muito superiores às das livrarias independentes. Uma pequena fatia de 3% é vendidacom desconto, mas é justamente o que dá mais retorno para os livreiros e editores: os best-sellers.
Com mais vantagens, as cadeias conseguem dar descontos ao consumidor final, gerando tráfegonessas lojas e diminuindo o retorno das livrarias menores. Além disso, os mencionados descontos geram preços médios maiores para o conjunto dos livros ofertados, reduzem os estoques e, por conseqüência, avariedade de títulos em cada livraria.
Enquanto as editoras buscam um retorno médio entre os best-sellers e os de venda mais lenta, nasgrandes cadeias livreiras impera o best-seller de giro rápido. O modelo de negócio do mercado editorialbrasileiro funciona, portanto, com base no prazo e nos descontos dados pelos editores aos livreiros, quenão contam com outras fontes de financiamento.
Um caminho possível é recolocar as livrarias no circuito das compras governamentais para escolase bibliotecas e estabelecer incentivos fiscais e creditícios para as pequenas e médias livrarias para queelas possam, de fato, se transformar nos centros culturais que poderiam ser.  
 
            TIPOS DE EDITORA
            Há basicamente três tipos de editoras no Brasil: 1) editoras grandes, que publicam os best-sellers internacionais e autores nacionais consagrados, como a Companhia das Letras(www.companhiadasletras.com.br); 2) editoras médias, que publicam livros em parceria com o próprioautor ou com instituições estatais ou privadas e fazem pouquíssimas apostas de bancar o custo integralde um livro, como ocorre com a Editora do Sesc (www.sescsp.org.br), ou boa parte das produções daseditoras universitárias nacionais, como a Editora da Universidade de Brasília (www.editora.unb.br); e 3)editoras pequenas, que publicam livros financiados pelo autor, como a Scortecci (www.scortecci.com.br).
            A tendência é chegar a dois modelos apenas: as de catálogo amplo e as pequenas, de catálogoespecífico, como a Cosac Naify (www.cosacnaify.com.br), na área de artes visuais, como ocorre na França. Isso pode favorecer o surgimento de novos autores, mas também ocorre numa lógica de pensar alongo prazo. Por isso, as grandes editoras não compram livros, mas autores completos, como fez aObjetiva que, ao fechar contrato com o grande sucesso que é Paulo Coelho, trouxe com ele inclusive oslivros dele já publicados por outras editoras.
 
            SITUAÇÃO DO MERCADO
            Em 2005, a venda de 75% da editora Objetiva (www.objetiva.com.br/), uma das maiores do país,que publica o Dicionário Houaiss e o escritor Luis Fernando Verissimo, para o grupo espanhol Prisa-Santillana, presente em mais de 20 países e dono do jornal El Pais, entre outras publicações, movimentou o mercado brasileiro. O negócio envolveu cifras da ordem de R$ 20,4 milhões.
Outro fato importante foi a compra de metade da editora Nova Fronteira pela Ediouro, que já havia adquirido o catálogo e a marca da antiga editora Agir e já tinha sob suas asas a Relume-Dumará. Chegou-se inclusive a falar da formação de um pequeno conglomerado pela Ediouro (www.ediouro.com.br/).
            A boa notícia é que nunca se publicou tanto. Há, no País, 400 lançamentos por mês, embora sejamuito discutível a relevância de todos esses títulos. A Record, uma das maiores lançadoras, coloca aproximadamente 28 títulos novos mensalmente na praça, sem contar suas editoras, como José Olímpio, Bertrand Brasil, Civilização Brasileira e Best Seller, e os selos Difel, Nova Era e Rosa dos Tempos(www.record.com.br).
A Ediouro (mais Relume e Agir) põe 25 títulos, assim como a Rocco (www.rocco.com.br). A Objetiva e a Nova Fronteira (que detém um dos catálogos mais sólidos do país, com obras completas denomes como Thomas Mann e João Guimarães Rosa e autores importantes atuais, como João Ubaldo Ribeiro, que recebeu o Prêmio Camões de Literatura, o mais importante em língua portuguesa em 2008) lançam sete títulos cada por mês. O panorama aponta para dois fatores: há mais espaço para novosautores e se lança mais do que as pessoas conseguem ler.
            De modo geral, pode-se dizer que, de um lado, há ações para formar catálogos sólidos, de títulosimportantes, de longo prazo, que não saiam muito em um momento, mas que vendam por muito tempo; e, do outro, existe a busca por grandes lançamentos, os chamados front lists, que vendem muito nolançamento, mas que são efêmeros. A lógica é a da super-oferta. A mídia e as livrarias precisam danovidade; e, conforme foi apontado, o pensamento geral é que 20% dos lançamentos de impactosustentam os 80% restantes.
 
PREÇO
Vale lembrar que 13% dos apreciadores de livros afirmaram que se eles fossem mais baratos leriammais. Se levarmos em conta a renda média do brasileiro, o livro é um verdadeiro artigo de luxo, mas, se comparados aos preços de outros mercados, são compatíveis dentro da média internacional. O vilãoapontado no mercado editorial é a tiragem. Afinal, quanto mais livros de um mesmo título forem produzidos, mais barato cada exemplar sairá para o consumidor.
O problema é que não há público que justifique tal medida. Se o número de pessoas que consomemlivros crescer, as tiragens aumentarão. A editora L&PM (www.lpm.com.br) solucionou essa equação comlivros de bolso. A tiragem média de cada um dos cerca de 500 títulos já lançados pela editora nessesegmento é de 10 mil exemplares. O resultado é que a coleção de bolso corresponde a aproximadamente 70% do faturamento anual de cerca de R$ 12 milhões da editora.
            A profissionalização do setor livreiro é apontada como a solução mais viável para atrair os leitoresexistentes e gerar novos. Isso deveria ocorrer em todos os seus processos, desde a escolha de uma obraa ser publicada até a estratégia a ser adotada nos pontos de venda, passando pela logística que issoexige.
 
POLÍTICAS PÚBLICAS
Cabe lembrar que no Brasil a receita com livros ainda é pequena se comparada com o mesmo setorem outros países. A empresa britânica Random House, do Grupo Bertelsmann, por exemplo, tem umareceita anual da ordem de R$ 6.413 milhões, enquanto todas as editoras brasileiras juntas não atingem acasa dos R$ 2.477 milhões.
Os livros brasileiros, embora não sejam caros demais numa comparação internacional, tem umpreço elevado para o poder aquisitivo do brasileiro. Seu preço médio é de U$ 1 a 3, próximo ao da China e Rússia, abaixo da França, México e Argentina (US$ 6 a 8), Espanha, Grã-Bretanha e Itália (US$ 10 a 13) e EUA, Holanda, Alemanha (US$ 14 a 17).
A questão é que a maior parte da população não tem dinheiro para comprar livros. Desse modo, elasó os recebe via doação pelo Estado ou quando freqüenta bibliotecas. O nó a ser desatado é que quemmais compra livros é a classe média, cujo poder aquisitivo vem diminuindo ao longo dos anos.
Paradoxalmente, as classes mais pobres e mais ricas, que tiveram aumento de renda nos últimosanos, não compram livros, gastando, respectivamente, com comida, utensílios domésticos e roupas, eobjetos de luxo. Agrava-se a situação quando se verifica que a classe média é justamente a que gastamais com novas necessidades, como celular e Internet.
Outro dado importante é que  Brasil ostenta mais de 11,5 milhões de usuários domésticos deInternet e é recordista mundial em navegação doméstica. Isso traz uma vantagem, pois o uso da redemundial de computadores como instrumento de trabalho, lazer e relacionamento incentiva a prática daleitura e da escrita.
Com a queda na renda, e as novas despesas, a capacidade de compra de livros da classe médiacaiu. Paralelamente, a formação de novos leitores depende do incentivo familiar e do estímulo da escola.Para reverter essa realidade o governo federal prevê uma série de ações de curto, médio e longo prazos,cujo objetivo é aumentar os índices de leitura dos brasileiros.
Uma medida importante foi tomada em 2005 com a desoneração fiscal. Enquanto diversos paísesapresentam uma tributação sobre o preço do livro, como China, de mais de 15%, Canadá, 10,1% a 15%, Holanda, 5,1 a 10%, e Espanha, 1 a 5%, o Brasil entrou no grupo de nações como México, Argentina e Coréia, com tributação zero.
As editoras, livrarias e distribuidoras de livros que optarem pelo regime fiscal de lucro real deixam de pagar 6,45% de Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o livro, mas passam a pagar mais 2,19% de Imposto de Renda.
Tem, portanto, um ganho líquido de 4,26% para alimentar seu capital de giro.   A redução doimposto, no entanto, não chegou ao leitor, pois 30% dos preços dos livros que estavam em catálogoantes da desoneração fiscal aumentaram de preço, 68% se mantiveram e apenas 2% diminuíram.
Outros importantes programas de difusão da leitura, como o Arca das Letras, do Ministério doDesenvolvimento Agrário, que instala bibliotecas em comunidades quilombolas de todo o Brasil, tambémpodem ser usados no futuro como maneiras de divulgar a literatura holandesa publicada em português.
 
INSTITUIÇÕES
Para selar parcerias, algumas instituições são importantes.
 
Academia Brasileira de Letras
            A Academia Brasileira de Letras é uma instituição que foi fundada em 20 de julho de 1897.Composta por 40 membros efetivos e perpétuos, eleitos em votação secreta e 20 sócios correspondentesestrangeiros, tem por fim o cultivo da língua e a literatura nacional. Informações:http://www.academia.org.br/
 
            Câmara Brasileira do Livro
            A Câmara Brasileira do Livro (CBL) é uma entidade sem fins lucrativos que visa promover omercado editorial brasileiro e cultivar o hábito da leitura. A promoção do mercado editorial dá-se emdiversas formas, sendo provavelmente a mais conhecida delas o Prêmio Jabuti de Literatura. É também a responsável pela organização das principais bienais do livro, como a Bienal do Livro de São Paulo que está na 20ª edição (2008). Informações: http://www.cbl.org.br/
 
            BIENAIS DO LIVRO
 
Bienal Internacional de São Paulo
            A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, evento cultural organizado pela Câmara Brasileira doLivro, reúne várias editoras brasileiras e estrangeiras para apresentar lançamentos e seus títulos. A 19ªedição, ocorrida em 2006, contou com 800.000 visitantes.
            A primeira edição, em 1970, foi decorrência de um projeto que se iniciou em 1951. Com o intuitode introduzir no país a tradição européia das feiras de livros encontradas na França, na Alemanha e naItália, a CBL promoveu a 1ª Feira Popular do Livro, na praça da República.
            A experiência foi retomada em 1956 e deslocada para o Viaduto do Cháponto ainda mais central da capital paulista e de grande fluxo de pedestres. O projeto foi ganhando corpo e novos adeptos. Em 1961, em parceria com o Museu de Arte de São Paulo, foi promovida a 1ª Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas, evento que se repetiu em 1963 e 1965. Eles serviram de ensaio para a 1ª Bienal Internacional do Livro, bancada exclusivamente pela CBL, em 1970.
            A 19ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo recebeu um público recorde de 811 mil em 11dias de evento, em 20 mil m² e 320 expositores.
 
            Bienal do Rio de Janeiro
            Trata-se de uma bem-sucedida realização cultural e empresarial, tendo o livro como o astroprincipal. Em 1983, nos salões do Hotel Copacabana Palace, numa área de cerca de 1 mil m², foi montada a I Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Dois anos depois, o cenário foi transferido para o SãoConrado Fashion Mall.
Em 1987, a Bienal do Livro chegou ao Riocentro, com 15 mil m², para tornar-se o acontecimentoeditorial mais importante do País nos anos ímpares e um evento cultural de mobilização nacional. A Bienaldo Livro supera todas as expectativas de público, vendas e mídia e atinge um crescimento anual de 30%. Seus números ultrapassaram, em 2007, os 63 mil visitantes, 170 mil estudantes e venda de 2,3 milhões de livros.
 
            Bienal Internacional do Livro de Pernambuco
            A VI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco ocorreu de 5 a 14 de outubro de 2007 noCentro de Convenções de Pernambuco. É o terceiro maior evento literário do gênero no Brasil atrásapenas das Bienais do Rio de Janeiro e São Paulo. Seu diferencial foi abrir espaço e fomentar a participação do público universitário, dando acesso preferencial a eles nas palestras oferecidas.
            A Programação Cultural teve como eixo temático “Literatura: Diálogos e Interfaces”, englobando as ligações da literatura com as diversas formas artísticas, seja como matriz ou como subsídio, comoocorre com as adaptações de textos para o cinema, o teatro ou as interpretações de obras literárias quese transmutam em pinturas e exprimem, em cores, os sentimentos outrora escritos, dando novo vigor eamplitude à obra literária em si.
Foi, portanto, dado o foco macroscópico da literatura e da sua relação com as outras artes. Comuma programação rica em palestras, lançamentos de livros, exibição de filmes e apresentações culturais, aBienal colocou o fazer literário no eixo central das discussões, ao focar a literatura sob o aspecto de seusdiálogos e interfaces com outras mídias.
            Para Homero Fonseca, o coordenador de conteúdo da Bienal, esse formato interdisciplinar daliteratura, que norteou o eixo temático das palestras, foi uma experiência positiva. “A interação e a receptividade do público foi muito boa. Acredito que esse formato deva ser levado adiante”, comentou.
 
            SUGESTÃO 5
            Pensar a literatura hoje significa, como bem perceberam os organizadores da Bienal de Pernambuco,  ter sempre em mente a interdisciplinaridade, ou seja, a relação entre diferentes áreas doconhecimento. Livros podem falar de artes visuais, cinema ou teatro sem perder a sua característica literária. Tudo depende da forma como isso é feito e do projeto editorial envolvido. Quanto maisdisciplinas estiverem envolvidas, maiores são as possibilidades de êxito. Essa concepção do fazerliterário amplia inclusive a possibilidade de  parcerias com profissionais de outras áreas.
 
            Bienal do Livro de Minas
A primeira edição da Bienal do Livro de Minas ocorreu em 2008. Nos seus 11 dias de realização,mais de 225 mil visitantes circularam pelos pavilhões do Expominas e adquiriram cerca de 500 mil livros.Mais de 130 expositores apresentaram 20 mil títulos nos 12 mil m2 do evento.
O público participou de uma programação cultural variada que contribuiu para a consolidação dafesta literária no calendário do Estado. Os espaços Café Literário e Arena Jovem receberam quase 90personalidades em cerca de 86 sessões de variados estilos, entre debates, bate-papos, encontrosliterários e atividades lúdicas para crianças.
 
            Bienal Internacional do Livro do Ceará
            Com o tema “A aventura cultural da mestiçagem”, a Bienal Internacional do Livro do Ceará realiza a sua 8ª edição no Centro de Convenções de Fortaleza, entre os dias 12 e 21 de novembro de 2008. Aprogramação vai destacar as manifestações artísticas e culturais de duas comunidades lingüísticas: a portuguesa e a espanhola, bem como de suas influências por mais de 30 países do planeta.
As atrações da Bienal envolvem ainda sessões literárias, com palestras, debates, leituras depoemas, encontros especiais e lançamentos de livros. A 8ª edição do evento é uma iniciativa do Sindilivros em parceria com a RPS Eventos, e conta com a cooperação de entidades como CâmaraBrasileira do Livro, Associação Nacional de Livrarias, Academia Cearense de Letras e Câmara Cearense doLivro.
 
            Bienal Nacional do Livro de Natal
            A Bienal Nacional do Livro de Natal durou dez dias em 2007. Foi um dos mais importantes eventosculturais do Estado do Rio Grande do Norte. No processo de seleção de editoras e livrarias que participam do evento, houve o apoio da Câmara Brasileira do Livro.
Para a seleção de temas e de autores convidados, foram consultados a CBL, escritores, jornalistas,intelectuais, artistas e membros de entidades representativas em todo o Estado. Houve a participação demais de 500 escolas do Rio Grande do Norte , com mais de 60 mil alunos ao longo dos 10 dias de evento.
Foram realizadas mais de 60 atrações culturais e mais de 50 lançamentos e relançamentos delivros. Das 45 atividades que aconteceram no auditório, mais de 23 envolveram escritores, jornalistas epersonalidades ligadas a cultura potiguar. De uma lista de 61 convidados, 60% foram do Rio Grande doNorte, numa clara demonstração do respeito da organização para com os autores da terra.
 
            Bienal do Livro São José do Rio Preto
A terceira edição do evento ocorreu em maio de 2008. São José do Rio Preto é a maior cidade donoroeste do Estado de São Paulo. A Bienal teve o apoio da Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto,Secretarias Municipais da Cultura e da Educação e CBL – Câmara Brasileira do Livro.
            Mais de 110 mil visitantes, sendo 36 mil crianças, alunos das escolas municipais, percorreram os 77 estandes de 40 expositores, entre editoras, livrarias e distribuidoras de livros. Foram mais de 600 horasde atividades em uma extensa programação cultural para todo o tipo de público, gostos e idade.
            A grande atração para o público que visita a Bienal é o Salão de Idéias, uma espécie demaratona literária idealizada e organizada pela CBL, que leva à cidade autores de alto nível, renomadosnacionalmente, para conversar e debater com o público.
 
            Bienal Nacional do Livro da Paraíba
            A Primeira Bienal Nacional do Livro da Paraíba foi realizada em 2006. Em nove dias de evento,centenas de títulos de obras literárias das mais importantes editoras do País ficaram à disposição do público. Diversos autores locais e nacionais também estiveram presentes na Bienal para debates, sessãode autógrafos e conferências.
            Com a realização da Bienal, a Paraíba se inseriu no circuito nacional de eventos literários. Alémda programação organizada por cada estande, que ficou sob a responsabilidade dos expositores, houveatividades culturais paralelas, tanto no palco Estante Viva como no Auditório.
            O palco ficou destinado a apresentações culturais de música, teatro e dança. O local recebeu ademanda das escolas públicas e privadas, que participaram de leitura de contos, entre outras programações. No auditório foram desenvolvidas atividades entre os autores e o público. As manhãsestavam reservadas para apresentação de experiências pedagógicas. À tarde e à noite aconteciam osencontros com autores locais e de fora do Estado.
            Ficaram à disposição do público cerca de 70 mil livros. Foram aproximadamente 50 horas dediscussão literária, 30 lançamentos e relançamentos de obras, além de mais de 20 apresentaçõesartísticas.
 
Feira Nacional do Livro e Festival Literário Nacional de Poços de Caldas
Os dois principais eventos culturais de literatura do sul de Minas acontecem no patrimônio históricode Minas Gerais construído na década de 1930, no Palace Casino. Nos seis primeiros dias de abril de 2008,Poços de Caldas recebeu aproximadamente 50 expositores de todo o país com mais de 30 mil títulos delivros para todos os gostos e bolsos.
Participaram uma das maiores especialistas em lingüística textual do Brasil, Ingedore Villaça Koch, homenageada no evento, MV Bill, Telma Guimarães, Fabrício Carpinejar, Elias José, André Ribeiro, Julio Emilio, Márcia Nehemy Bittar, João Scortecci, Maria Esther Mendes Perfetti, Lino de Albergaria e Walter Alvarenga.
A Feira e o Festival foram uma realização da GSC Eventos com a parceria da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas, Secretaria de Educação e Cultura, Turismo, Cia. Bella de Artes, Renovias, CâmaraBrasileira do Livro, Sesc e Senac. Informações: (35) 3713-9901 ouwww.feiradolivropocosdecaldas.com.br
 
AVALIAÇÃO DAS BIENAIS E FEIRAS DO LIVRO
As Bienais e Feiras do Livro são muito importantes para atrair as pessoas para perto de livros, mas perderam um pouco de seu sentido original. Antes, ia-se por ser agradável e porque fazia sentidoeconomicamente, pois lá se conseguiam os melhores descontos e os preços mais baixos.
Com a chegada das grandes livrarias ao mercado nacional, porém, com os seus constantesdescontos e promoções, isto já não acontece. Na há mais porque ir a uma Feira do Livro com essa motivação, pois, durante o ano inteiro, pode-se comprar o mesmo livro on-line a um preço comparável oumais baixo.
Mesmo as sessões de autógrafos já não justificam a ida às Feiras, pois as livrarias estão cada vezmais agressivas na promoção e organização desses eventos. Por todos estes motivos, melhorescampanhas de marketing e/ou um design dos pavilhões cada vez menos conservadores serão necessários.
Uma alternativa é o modelo do Festival Literário, no qual escritores de vários países confluem a uma cidade ou localidade para falar sobre as suas obras, bem como para interagir com os leitores. Hásessões de autógrafos, palestras e debate, mas, acima de tudo, uma saudável e estimulante troca deidéias na qual é possível o redescobrir de escritores e o conhecimento de novas  correntes de escrita.
            Existe atualmente mais de uma centena de festivais literários em cidades pitorescas espalhadaspelo mundo. O mais famoso de todos, que serve de modelo ao de Parati, realizado no Brasil, é o de Hay-on-Wye, no País de Gales. O criador do evento, Peter Florence, teve a idéia de iniciá-lo em 1988, depoisde ganhar uma bolada numa partida de pôquer com amigos. No primeiro ano foram vendidos 2.500ingressos. Atualmente, recebe mais de 93 mil pessoas.
 
            Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
            Em agosto de 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) tornou-se a caçula da famíliade importantes festivais literários como Hay-on-Wye, Adelaide, Harbourfront de Toronto, Festival de Berlim, Edimburgo e Mântua. Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira FLIP estabeleceu um padrão de excelência àsedições seguintes.
A Flip é hoje conhecida como uma das principais festas literárias internacionais, sendo aclamadapela qualidade dos autores convidados, pelo  entusiasmo de seu público e pela hospitalidade da cidade. Járecebeu alguns dos grandes nomes da literatura mundial, como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Margaret Atwood, Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan Coe, Jeffrey Eugenides, David Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon, Rosa Montero, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk, Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M. Coetzee e Marcello Fois.
            Dos brasileiros, já estiveram na Flip nomes de destaque, como Ariano Suassuna, Ana MariaMachado, Milton Hatoum, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo, ZuenirVentura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles, além de ícones da cultura brasileira comoChico Buarque e Caetano Veloso.
            A sexta edição, em 2008, teve um repertório eclético de convidados, como o dramaturgo inglêsTom Stoppard, a psicanalista Elisabeth Roudinesco, o quadrinista Neil Gaiman, a roteirista argentina Lucrecia Marte e o escritor holandês Cees Nooteboom. O evento confirmou assim a sua vocaçãocosmopolita de discutir todo tipo de idéias manifestadas pela palavra escrita.
            A cada ano a FLIP homenageia um expoente das letras brasileiras. No primeiro ano, em 2003, celebrou o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1917-1980). João Guimarães Rosa (1908-1967) foi o homenageado no ano seguinte. Em 2005 foi a vez de Clarice Lispector (1920-1977), em 2006, do baianoJorge Amado (1912-2001), e, em 2007, do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Em2008, ano do centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), a Flip focou a vida e a obra doescritor carioca.
Enquanto a programação principal acontece na Tenda dos Autores e é transmitida ao vivo naTenda do Telão, vários outros eventos ocorrem simultaneamente em diversos locais. A Oficina Literária, destinada a jovens aspirantes a escritor, é realizada por grandes autores brasileiros e internacionais.
A Tenda dos Autores e a do Telão receberam, juntas, em 2008, cerca de 35 mil espectadores. Pelaprimeira vez, as mesas foram transmitidas online, com uma audiência próxima a 4 mil visitas. Também foicriado um blog e postados vídeos no youtube.
Há também uma programação exclusiva para as crianças – a Flipinha –, em que jovens estudantesde Paraty apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam depalestras com autores convidados. Na Flipinha, a série de eventos realizados, que resultam de um trabalhoeducativo desenvolvido ao longo do ano com alunos de 37 escolas da cidade, reuniu vinte autoresbrasileiros e atraiu cerca de 10 mil crianças.
Os jovens participantes tiveram oportunidade de interagir com autores, ouvir histórias contadaspelos próprios escritores, acompanhar “ao vivo” como se desenvolve o processo de desenho de umailustração e aprender a criar bonecos de papel machê e poemas coletivos. Também foram protagonistasde peças de teatro, apresentações musicais e de dança, com a constante inspiração de Machado de Assis.
A FLIP ETC concentrou em sua programação a maior parte das atividades relacionadas a Machadode Assis, incluindo uma mostra de cinema com filmes baseados na obra do escritor, uma exposição doInstituto Moreira Salles com fotografias do Rio de Janeiro na época de Machado, peças de teatroadaptadas a partir de suas obras e abordagens particulares extraídas dos textos machadianos, como apalestra “Economia em Machado de Assis”, do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco.
O sucesso da Festa também estimulou o desenvolvimento de uma programação de leituras, showse lançamentos de livros, batizada de Off-Flip. O interesse despertado pela festa literária traz reflexosdiretos para a economia da cidade. Durante os cinco dias, Paraty, em 2008, recebeu em torno de 20 milturistas, que ocuparam pousadas e restaurantes, fizeram compras nas lojas e ateliês, gerando recursos e ampliando o mercado na cidade. A Festa ocupou 230 moradores que trabalharam na sua montagem erealização.
Desde a primeira edição, o crescimento da Festa Literária está intimamente ligado à vida e àsnecessidades de Paraty. Artistas locais, comerciantes, hoteleiros e donos de restaurantes se envolvemcom o evento. Flávio Moura, diretor de programação da Flip 2008, acredita que “a Flip é a melhor porta deentrada de um autor no Brasil”. “Ela é cada vez mais uma chancela fundamental que orienta o que vale e o que não vale a pena ler”, completou.
Informações: http://www.flip.org.br/
 
SUGESTÃO 6
Um dos melhores caminhos para fixar a literatura holandesa é conseguir a participação deescritores, roteiristas ou cineastas na Flip. Para isso, é necessário todo um trabalho de aproximação quepassa pela ação de agentes literários e publicação dos romancistas, contistas, poetas, roteiristas eensaístas holandeses conforme apontado anteriormente. 
 
            Festival Internacional de Poesia – Dois Córregos
            Outra alternativa está nos festivais internacionais de poesia. O município de Dois Córregos, a 288km da cidade de São Paulo, foi o palco em 2008, da segunda edição do seu. Com o slogan “Por um mundomais poético”, o Festival contou com um extenso programa, que inclui saraus, oficinas culturais eseminários, com a participação de poetas, repentistas e trovadores.
O evento é realizado pelo Instituto Usina dos Sonhos em parceria com a Prefeitura de DoisCórregos, e tem apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), União Brasileira deEscritores (UBE) e Câmara Brasileira do Livro (CBL).  Informações sobre o festival no e-mailcontato@usinadesonhos.org.br ou pelo telefone (14) 3652-1061.
 
            Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura
            Escritores consagrados estiveram reunidos em maio e junho de 2008 em São  Francisco Xavier,distrito a 59 km de São José dos Campos e a 138  km  de São Paulo, durante três dias. O objetivo éincentivar o prazer a leitura, com atividades gratuitas e abertas, shows musicais, atividades infantis e a participação de estudantes e professores.
            A programação foi realizada em cinco espaços localizados no centro de São Francisco Xavier: aTenda Mantiqueira Literária (debates), uma livraria (lançamento dos livros e sessões de autógrafos),Espaço Mantiqueira (atividades infantis e os shows),  Espaço Mantiqueira Musical e Bar e RestaurantePhotozofia.
            Participaram dos debates com o público os escritores Milton Hatoum, Fernando Morais, Moacyr Scliar, Jorge Caldeira, Nelson Motta, Marçal Aquino, Marcelo Rubens Paiva, Zuenir Ventura, Mário Prata, Marcelino Freire e a diretora de cinema Suzana Amaral. Também foram realizados encontros temáticosintitulados Diálogos Literatura e TV, Diálogos Literatura e Bossa Nova, Diálogos Literatura e Cinema eDiálogos Literatura e História.
           
            ROMANCES TRADUZIDOS EM PORTUGAL
            Antes de avaliar as possibilidades de maior  intercâmbio entre Brasil e Holanda na área de livros, especificamente da literatura, cabe verificar o que existe traduzido para o português da literaturaholandesa. Segundo Arie Pos, da Universidade de Coimbra, a literatura holandesa traduzida em línguaportuguesa, a partir de 1992, em Portugal, é a seguinte(http://pt.neerlandes.org/literatura_traduzida_em_portugues):
 
AKKER, Magda van den. A China de Gaspar (Het China van Gaspar, 1989). Vert. Maria Alice Vila Fabião. Lisboa: Caminho 1992.

BENALI, Abdelkader. Boda à beira-mar (Bruiloft aan zee, 1996). Vert. Arie Pos. Lisboa: Teorema 2002.

BROUWERS, Jeroen. Vermelho decantado (Bezonken rood, 1981). Vert. Célia  Bernardino & Arie Pos. Lisboa: Teorema 1997.
 
CLAUS, Hugo. A caça aos patos (De Metsiers, 1950). Vert. Ana Maria Carvalho. Porto: Asa 1994.

CLAUS, Hugo. O desgosto da Bélgica (Het verdriet van België, 1983) Vert. Ana Maria Carvalho. Porto: Asa1997.
 
CLAUS, Hugo. Rumores (De geruchten, 1997). Vert. Ana Maria Carvalho. Porto: Asa 2001.

 
CORNINCK, Herman de. Os hectares da memória (De hectaren van het geheugen, bloemlezing). Collectieve vert. Lisboa: Quetzal 1996.
 
DIS, Adriaan van. Em África (In Afrika, 1991). Vert. Ana Maria Carvalho. Lisboa: Dom Quixote 1998.
 
DIS, Adriaan van. A terra prometida (Het beloofde land, 1990). Collectieve vert. Lisboa: Dom Quixote2003.
 
DORRESTEIN, Renate. Um coração de pedra (Een hart van steen, 1998). Vert. (uit het Engels) Armando Silva Carvalho. Lisboa: Círculo de Leitores 2003.

DUINKER, Arjen. A canção sublime de um talvez (Het sublieme lied van een misschien, bloemlezing). Vert. Arie Pos. Lisboa: Teorema 2003.
 
ENQUIST, Anna. A obra-prima (Het meesterstuk, 1994). Vert. Carmo Vasconcelos Romão. Lisboa: Temas eDebates 2004.
 
ENQUIST, Anna. O segredo (Het geheim, 1997). Vert. Elsa Trigo. Lisboa: Temas e Debates 2002.

FRANK, Anne. Diário de Anne Frank: versão definitiva (Het achterhuis, 1991). Vert. (uit het Engels) Elsa T.S. Vieira. Lisboa: Livros do Brasil 2003.
 
GERLACH, Eva. Alguns poemas (Enkele gedichten, bloemlezing). Collectieve vert. Lisboa: Quetzal 1996.
 
GLASTRA VAN LOON, Karel . Fruto da paixão (De passievrucht, 199