Pan Techné: caleidoscópio contemporâneo
O mundo da arte pode ser visto como um universo em que o produzir arte, vendê-la e consumi-la forma uma tríade de complexos relacionamentos. A escritora brasileira Hilda Hilst, por exemplo, acreditava que a arte surgia da diferença entre aquilo que o artista vê e aquilo que ele desejaria ver no mundo.
Raciocínio semelhante pode ser encontrado em Marcel Duchamp. Para ele, é na relação entre o artista e o público que a obra de arte se realiza. Também verifica que “milhares de artistas criam; somente alguns poucos milhares são discutidos ou aceitos pelo público e muito menos ainda são consagrados pela posteridade”.
A exposição de arte Pan Techné reúne artistas que, com seu fazer (Techné) refletem sobre Gaia, a terra, elemento primordial da vida; Antropos, o homem; e Theos, ou seja, o divino. Os textos que escrevi para cada artista desta exposição constituem um panorama de uma produção variada em termos de técnica e assunto. Instituem possibilidades de interpretar o mundo. Marcadas por uma ampla e rica diversidade, as obras formam um caleidoscópio.
O futuro, em sua sabedoria milenar, avaliará o que fica de nossa época, caracterizada, de modo geral, em todos os aspectos, principalmente na cultura, pelo efêmero e inconsistente. Nesse caldeirão, há, porém, pérolas a serem encontradas para quem desenvolver a paciência fundamentada no olhar atento que vence os modismos e ultrapassa as gerações.