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Pílula visual: Multitudes

Pílula visual: Multitudes
07/12/2020

Ser artista traz consigo a capacidade de olhar o mundo de um outro jeito. Isso não significa ser melhor ou pior aos seus irmãos humanos, mas sim observar o que está dentro de si, na sociedade e no conjunto do planeta de uma maneira diferente. É exatamente isso que  dmp – Daniel Morais Paschoalin (@_dmp.art) apresenta na obra “Multitudes”.

Ao montar um conjunto de “indivíduos” feitos com quatro pregadores de roupa cada um, traz à memória os mais variados grupos de seres anônimos que são aparentemente iguais na sua essência, mas distintos quando se olha atentamente. Essa diferença é obtida pelo fato de o artista realizar o seu trabalho com objetos usados.

Dessa maneira, cada pregador tem a sua história de vida. Para obtê-los já utilizados, Paschoalin fez toda uma mobilização, dando utensílios novos para receber os antigos. Essa dinâmica gerou um processo que humanizou o trabalho, dando-lhe expressividade e alma, pois cada objeto que integra as “pessoas” construídas é diferente e tem internamente a sua narrativa.

Cada ser é composto, portanto, de quatro histórias, que conformam um novo e único. Assim são as pessoas que, friamente inseridas em estatísticas, seja da tragédia de Brumadinho ou da pandemia causada pela Covid-19. Como os “indivíduos” feitos por pregadores de roupas, cada um é um ser único, que não pode, como alerta dmp, ser despido de nome na multidão.

Oscar D’Ambrosio