Olhares poéticos sobre o meio ambiente e o homem
Para o poeta inglês Ralph Waldo Emerson (1803-1882), “a Natureza é uma nuvem instável, sempre e nunca a mesma”. Os artistas e as crianças que participam desta exposição, promovida, em 2006, pela Casa Caiada 35, debruçaram seus diferentes olhares justamente sobre o meio ambiente e sobre o homem que nele vive. O resultado é uma combinação do trabalho dos artistas, das crianças e das oficinas por elas vivenciadas com cada um deles, conhecendo as mais variadas técnicas.
Enquanto Alexandre Bernardes cria papel reciclado e consegue mostrar, em lúcida imagem, o homem em meio aos continentes; André Albuquerque aponta para a possibilidade de destruição do mundo pelo mau gerenciamento humano. Carlo Cury recupera os grafismos indígenas e os mescla com o uso comedido da cor, enquanto as complexas relações entre o homem e o meio são o assunto do versátil artista plástico Carlos Avelino dos Santos.
Jorge Prado se vale de cores terrosas e lilás para mostrar que a integração dos elementos da natureza com os homens é um valor fundamental que não pode ser perdido. Lucy Torres apresenta, na aquarela, a degradação da terra e da água, assim como a morte do meio ambiente pelo ar contaminado e pelo fogo destruidor das queimadas.
Mônica Leite exibe o elemento humano com maior evidência. Ele surge olhando para cima, interrogando a si mesmo e ao mundo. Rita Braga, com a técnica da colagem, mostra a arara azul, ameaçada em extinção, trazendo em seu corpo a própria água cristalina, também ameaçada perante um homem impotente.
Rodrigo Nucci pinta rios de sangue e fogo, num planeta em morte gradual que pode estar mais próxima do que imaginamos; e as cores da árvore da vida de Saulo Mota revelam que cada elemento da natureza, inclusive o homem, só tem sentido quando se considera a soma de todas as partes do planeta. O conjunto gera uma importante interrogação: para onde vamos se não preservamos o que somos e onde vivemos?