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A. Schnaider

O poder da abstração
Lidar com abstrações é um desafio que exige uma qualidade primordial: o amor à pesquisa e uma busca constante por soluções plásticas que evitem a monotonia e que levem a uma evolução constante do trabalho tanto em termos de cor como de um pensamento sobre o próprio ato de pintar. 
            Essa característica é marcante na pintura realizada em tinta acrílica por A. Schnaider. A artista pernambucana, que iniciou seus estudos de desenho aos 14 anos com o mestre Abelardo da Hora, foi desenvolvendo uma produção variada e rica com alguns elementos em comum.
            O principal é a habilidade da utilização dos vazios nos centros das próprias telas. Usa o recurso em diversas situações e com resultados que revelam a criativa habilidade de brincar com possibilidades visuais. Instaura, assim, uma relação com o espaço que privilegia o pensar das nuanças e o estabelecer de mistérios.
O jogo entre cores e formas atinge seus melhores momentos ao atuar sobre ocres e cores mais quentes. Lidar com a ausência de uma imagem concreta demanda exploração do talento para não cair na repetição ou nas meras variações sobre uma idéia que deu certo.
Seja em pinturas de menores proporções – quadradas, com moldura branca ou preta, que funcionam como estudos – ou, nas obras maiores, algumas vezes monocromáticas, marcadas pelo impacto visual atingido tanto de perto como de longe, a pesquisa visual de A. Schnaider provoca a discussão do poder da cor e da forma na arte.  
            Cada tela de A. Schnaider proporciona não só uma obra agradável para os olhos, mas um estímulo ao pensamento para verificar como diferenças, mesmo aparentemente pequenas, contribuem para instaurar relações entre o tempo do fazer, o espaço da tela em branco e o cuidadoso acabamento.