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O grafite de Jurandi Assis

O ato de desenhar possui uma magia muito especial. A sua complexidade está no fato de ser a melhor oportunidade para treinar a percepção e discutir elementos de composição, tons, distância, profundidade e textura. Trata-se de um processo que elabora uma sistemática visual.
A prática leva a uma espécie de alfabetização. Mesmo que seja uma criação, como é o caso de Jurandi Assis, no que diz respeito, por exemplo, à divisão de áreas, há referências concretas. Para o artista baiano, elas estão na música, na infância, nos pescadores, no folclore e nos vaqueiros, entre outros temas.
O desenho, como dizem os chineses, é o osso da pintura . É ele que possibilita uma educação do olhar, ainda mais quando feito em branco, modalidade que, no oriente, é vista como a mais nobre e a utilizada nas academias de pintura para avaliar os alunos. No diálogo entre o que se deseja esconder e o que se mostra nasce o encanto.
Jurandi Assis dá ao seu grafite a dimensão de um universo de  grisalhas, onde cada cinza nasce da construção resultante da conversa entre aquilo que o artista vê, o que ele imagina ver e o que deseja criar. A técnica e a sensibilidade geram, assim, um trabalho de impacto e pesquisa visual do qual o observador não sai indiferente.