Provinda do latim
granum, a palavra grão tem um grande número de significados, mas geralmente descreve uma pequena
partícula mais ou menos
esférica. O termo, porém, quando usado na poética visual da artista plástica Camilla Nascimento, ganha uma nova dimensão.
Ele se transforma num elemento lúdico. Em suas obras, realizadas com as próprias mãos, sem o uso de pincel, a artista retoma a simbologia da terra, evocando a maternidade, a origem da vida e as emoções do reencontro com as próprias raízes num processo que inclui saber olhar, pensar e fazer.
O uso de elementos naturais, como grãos, atribui a cada trabalho grande força existencial. A artista utiliza anil, pó de diversas pedras, como a sabão, e de numerosas procedências, como Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina e Tocantins. Instaura-se, assim, uma atmosfera de sonho e de encanto permanente.
O efeito obtido é resultado do progressivo desenvolvimento de uma sensibilidade e de um pensamento sobre a terra como elemento primordial. Isso inclui pesquisas de cor e forma, além da presença de mais uma variável: o estado de espírito do artista ao lidar com várias texturas e mesclas.
Camilla toma a terra como paradigma do processo criativo. Há, em sua experimentação uma certa dose que fica ao acaso. Isso ocorre quando a mistura de materiais oferece um resultado além ou aquém do que a racionalidade pode esperar. Nesse efeito mágico, o encanto dos grãos se concretiza.
Cada tela é um aprendizado. O desafio é manter o tom visceral, renovando-o e realimentando-o. A terra, assim, surge como força doadora de vida e com infinito poder de sedução, já que tem em seu seio muitos grãos. Eles podem ficar guardados ou expressar sua beleza de acordo com a intuição e a capacidade de olhar do observador.