
A “Mandala do Om”, de Lucia Lucena A. Santos, de Sorocaba, SP, nos faz pensar muito sobre as necessidades espirituais neste momento de pandemia. Considera-se o “Om” o mantra mais importante do hinduísmo porque ele traria o conhecimento dos Vedas, a base das escrituras sagradas do hinduísmo.
Considerado o corpo sonoro do Absoluto, o “Om” seria o som do universo, uma semente primordial que "fecunda" os outros mantras, sílabas ou poemas, normalmente em sânscrito, que se originaram do hinduísmo, mas são utilizados em diversas práticas espirituais ligados ou não a religiões.
O som “Om” é formado pelo ditongo das vogais “a” e “u”, e a nasalização do “m” no final, que indica justamente essa fecundação do universo. Por isso, o som também é grafado como “Aum”. As três letras correspondem a três estados de consciência: vigília, sono e sonho. Sua pronúncia levaria a um estado de união e paz com o universo.
O roxo utilizado por Lucia Santos no fundo também tem o seu significado. É associado à espiritualidade e, no Japão, por exemplo, apenas os monges budistas da mais alta hierarquia vestiam roupas dessa cor. Portanto, “Om” propicia atingir a liberdade do existir, pois lida com a intuição e a concentração que leva à consciência de si mesmo e a uma atemporalidade.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br