
Uma das principais esperanças neste momento da pandemia da COVID-19 que o país atravessa é que tudo, apesar das mais de 100 mil mortes, possa voltar ao normal. Teríamos assim o completar de um círculo, com a Humanidade novamente entrando os eixos, com seus altos e baixos.
O trabalho de Cecília Menezes intitulado "Amanhã...outra vez" ilustra essa ideia de que o mundo é regido por eternos retornos. A artista conta que tudo começou quando nasceu o seu neto, Antonio, mesmo nome do pai dela. Surgiu a ideia de fazer uma imagem para colocar no quarto da criança.
O desenho inicial tinha uma pracinha do interior, uma igrejinha de Santo Antonio, o netinho puxando um aviãozinho com uma corda e a neta, então com três anos oferecendo um balão. A pintura começou três anos depois e aí vieram à tona coincidências que nem a própria Cecília tinha se dado conta. A netinha, por exemplo, se chama Stella, mesmo nome da mãe da artista.
O mais curioso é que Antonio e Stella se conheceram numa festa de Santo Antonio, em Jequié, BA, onde Cecília nasceu. Portanto, situações podem funcionar como círculos, dando prosseguimento à vida. Cada momento parece ser único, mas, passado algum tempo, percebe-se que é um fragmento de uma cadeia imensa que pode, como mostra a pintora, se repetir.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br