
O amor torna todo impossível em algo possível. É esse tipo de pensamento que vem à mente quando se observa uma obra como “Os namorados”, de Albina Santos. Pintada com tinta acrílica sobre tela, consegue transmitir o encantamento e ardor daqueles que decidiram passar a vida juntos.
A existência das máscaras, em época de pandemia, é uma necessidade, mas não retira o afeto da cena. Pelo contrário, fica implícito que valorizar as relações humanas é exatamente um dos aprendizados que retiramos deste momento de crise na saúde pública, mas que afeta todas as áreas, desde as relações humanas às econômicas.
A utilização das cores pela artista auxilia na ideia de mostrar a integração entre o casal. O azul está na camisa do rapaz e nas flores da roupa da moça, cujo vestido é do mesmo lilás das flores da árvore. Todo esse jogo visual é apresentado com naturalidade dentro de um clima otimista que exala vida.
Nesse aspecto, a presença das flores e a relevância da árvore na obra de Albina Santos são símbolos muito fortes da valorização da vida e do amor como formas de ter fé e confiança no futuro. A máscara que protege cada um e ao outro torna-se, assim, uma prova de que a pandemia não pode nos impedir de acreditar sempre na possibilidade de sermos felizes.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br