
Círculos que contém em seu interior geralmente desenhos de formas geométricas e cores variadas, as mandalas são ícones universais encontrados em diversas culturas, tanto no Oriente, em religiões como o budismo e o hinduísmo, como em tribos indígenas norte-americanas, como os Sioux.
Mandala, em sânscrito, significa justamente “círculo” e o fato de aparecer em tantas locais, como nas rosáceas das Igrejas medievais, fortalece a ideia de que tenha, de maneira inconsciente, um significado simbólico associado à perfeição. Costuma estar ligada, portanto, à espiritualidade e acredita-se que auxilie na concentração e na prática meditativa
A mandala “Energia”, de Erika Martins, de Sorocaba, SP, permite refletir sobre esse fazer simbólico. Estão ali formas geométricas, cores, diferenças de tamanhos e conjuntos visuais que levam a pensar sobre a percepção visual que se tem do todo. Essa determinação de um foco auxilia em processos de cura internos, apaziguando almas, como é necessário nesta pandemia.
Fazer uma mandala é um exercício de autonomia e individualidade, pois cada uma delas tem a marca individual do seu criador, manifestada no lidar com a escolha de cores e padrões geométricos. Trata-se de uma atividade que acalma, pois demanda concentração, e que pode levar a um transe místico de quem a faz e de quem a vê.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br