
Se Vânia Cardoso motiva uma série de reflexões sobre a música “Asa branca”, do Rei do Baião; José Benedito Ferreira, o Zé, se concentra plasticamente na ave.
Parte de uma série de pássaros estilizados que o artista vem pintando há algum tempo, "Asa branca" traz a ave que é um símbolo do sertão nordestino de maneira fluida, se perdendo entre as manchas do espaço, tanto do céu quanto da terra, pois seu destino justamente é voar entre mundos conhecidos para atingir o desconhecido.
O trabalho de José Benedito Ferreira, o Zé, se dá justamente na proposta de "sentir" as cores ao embalo do clássico de Luiz Gonzaga. Ao se ouvir os versos "Quando olhei a terra ardendo Qual fogueira..." ao som do acordeão e da voz de Luiz Gonzaga, a pintura em tinta acrílica sobre madeira se alça no espaço.
O papel da arte parece estar justamente nessa capacidade de olhar para o mundo e devolvê-lo de uma maneira diferenciada. Trata-se de um exercício que demanda observação e simplicidade de maneira concomitante. Não basta saber olhar. É preciso sentir. Desse processo conjunto, surgem manifestações visuais que nos fazem voar para dentro e para fora do sertão.
Oscar D’Ambrosio