
Arte em tempo de coronavírus (546)
Uma das características mais fascinantes das artes visuais, especificamente das bidimensionais, está no poder que elas têm de cristalizarem um momento. Ao se ver uma imagem, pode-se imaginar o que teria acontecido antes e o que poderá ocorrer depois, mas tudo não passa de um jogo de adivinhação.
O que vale para quem vê é aquele trabalho que está à nossa frente. Nesse sentido, “Centro de isolamento – Casa”, obra de Uchenna Eugene, de Lagos, Nigéria, traz uma calma de espírito obtida pela maneira como as cores e as formas são trabalhadas, estabelecendo uma atmosfera de reflexão.
De fato, o isolamento a que as pessoas foram obrigadas a se submeter como forma de combater a COVID-19 trouxe, para muitos, uma espécie de convite a pensar sobre as ações passadas e presentes no sentido de configurar caminhos para a construção de um futuro melhor para si mesmo e para a humanidade.
No aspecto simbólico, a casa surge também como um ambiente protetor, o que é potencializado na imagem de Uchenna Eugene pelo ambiente rural. Essa integração de cada pessoa com seu interior e com a natureza resultaria em uma reconexão com o mundo que, enquanto não temos vacina ou medicação eficiente, é uma lição que a pandemia nos deixa.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br