
Se Fernanda Cordeiro coloca Luiz Gonzaga cantando a música “Juazeiro”, um de seus clássicos; Vânia Cardoso motiva uma série de reflexões sobre a música “Asa Branca”, do Rei do Baião.
O trabalho feito com bordados em retalhos "Sertão do Nordeste", de Vânia Cardoso, relaciona diversos elementos. Um deles é o próprio Rei do Baião, Luiz Gonzaga, aludindo a um de seus maiores sucessos, “Asa Branca", de autoria dele com Humberto Teixeira, lançada em 1947.
O tema desse clássico da cultura da região é a seca no Nordeste, que leva parte do povo, e até mesmo a ave asa-branca, uma espécie de pombo também conhecido como pomba-pedrês ou pomba-trocaz, a mudar de local – mas a letra traz a promessa de retornar para os braços do seu amor.
Há até uma continuação dessa música, intitulada "A Volta da Asa Branca", que trata do retorno do retirante e de sua nova vida no Nordeste. A pomba que parece na imagem de Vânia Cardoso remete ainda o símbolo tradicional da ave: a paz, a segurança e o Espírito Santo.
Mas o trabalho de Vânia Cardoso traz ainda outros elementos, como as rendeiras que trabalhavam sentadas em suas cadeiras de palha em meio ao clima inclemente do sertão, tecendo enquanto ouviam as músicas de Luiz Gonzaga. Tudo ocorre na presença das cores associadas à bandeira nacional, o verde e amarelo.
Ao som do acordeão de Luiz Gonzaga, portanto, muitas histórias foram contadas e ouvidas. As canções que interpretava falavam sobre o povo nordestino, incluindo as suas alegrias, amores, dores e sofrimentos. Acima de tudo, seu canto trouxe paz e esperança a quem com elas se deleitava, além de reconhecimento da arte nordestina em escala nacional – e no exterior.
Oscar D’Ambrosio