
Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, entre outros profissionais que estão na linha de frente de combate ao novo coronavírus, vêm sendo tratados como heróis pela mídia. As homenagens são muito merecidas, é claro, mas é preciso não esquecer que essas pessoas são também humanas, com seus medos, suas famílias e suas limitações emocionais e psicológicas.
A obra “Homenagem aos Profissionais de Saúde”, de Stela Alves, de São Paulo, SP, traz justamente uma reflexão nessa direção, pois mostra um ser semelhante a Jesus Cristo com um estetoscópio ao pescoço e carregando uma pessoa adoentada. A ideia é que toda força daqueles que atuam no combate à COVID-19 possam ser transmitidas aos que necessitam.
Elementos visuais, como a aureola amarela e os cabelos da figura que carrega e de quem é carregada, que estão no mesmo tom, auxiliam a estabelecer uma atmosfera de interação visual, em uma linha de interpretação da imagem marcada justamente pelo carinhoso beijo que, se não propicia a cura, traz ao menos a ideia do carinho e do cuidado.
Por sentir a dor eterna de uma flecha que o atingira, o centauro Quirão é associado à Medicina, na concepção de que conhecer profundamente os mistérios da própria dor é a melhor maneira para a compreensão e a cura das aflições dos outros. A imagem de Stela Alves, nesse sentido, traz justamente a ideia da integração entre quem cura e quem está doente.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br