textos

diárias de bordo

Arte em tempo de coronavírus (540)

Arte em tempo de coronavírus (540)
08/08/2020

A artista plástica Tercilia traz em sua obra a alusão à pajelança, um ritual de cura realizado pelos índios, povos que vêm sofrendo muito com as consequências da COVID-19.  Quem realiza este ritual é o pajé, o curandeiro e líder espiritual da aldeia, que evoca espíritos de ancestrais ou de animais da floresta.

A evocação serve para que o pajé, pessoa de destaque em certas tribos indígenas da América do Sul, receba das divindades da natureza a orientação necessária no processo de cura. Em certos rituais, algumas ervas e plantas podem ser usadas e jogadas sobre o corpo daquele que busca a solução de seus problemas.

Considerados portadores de poderes ocultos ou orientadores espirituais, os pajés assumem o papel de médicos e sacerdotes, com um conhecimento que passa de geração em geração. São, portanto, aqueles que armazenam um saber secreto respeitado pela comunidade, dentro de tradições seculares.

Plasticamente, a artista apresenta suas árvores características, seus índios com adornos coloridos e uma ponte sobre um rio, cuja cor azul se diferencia das águas do lago. Em um momento em que o Brasil ronda as 100 mil mortes causadas pela pandemia, a homenagem da artista aos povos indígenas deve ser vista com muita atenção e especial carinho.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br