
Se Ana Maria Reis nos transporta para um universo que mistura música típica nordestina com tradições regionais e o ambiente árido; Rosa, de Natal, RN, homenageia a Araruna, uma dança local pouco conhecida no resto do Brasil.
A obra de Rosa toma como tema a dança conhecida como Araruna. Oriunda de salões aristocratas europeus, mescla valsa, polca, xote, mazurca e tradições nordestinas, tem sua origem no grupo São João na Roça, do bairro das Rocas, em Natal, RN, cujas tradições remontam a 1949, tendo como liderança o Mestre Cornélio Campina, que faleceu aos 99 anos, em agosto de 2008.
O nome Araruna provém de um pássaro preto da Região Norte do Brasil parecido com a graúna. Ele está associado a uma lenda sobre uma menininha e um homem que ficavam olhando o pássaro. Quando este quis pegar a ave para colocar em uma gaiola, ela começou a cantar: “XÔ, XÔ, XÔ, ARARUNA,/ XÔ, XÔ, XÔ, ARARUNA,/ XÔ, XÔ, XÔ, ARARUNA./ NÃO DEIXA NINGUÉM TE PEGAR!”.
Acordeão, viola ou violão, e pandeiro ou outro instrumento de percussão realizam o acompanhamento musical para de oito a dez pares de dançarinos vestidos de forma aristocrática. Os cavalheiros usam fraque (casaca), calças longas, gravata pomposa e cartola; e as damas, longas saias rodadas, blusas de renda e sandálias.
Os pares formam círculos concêntricos, com cavalheiros no de fora e as damas no de dentro. Eles desenvolvem passos laterais para a direita e para a esquerda. No estribilho, dão meia volta em torno de si mesmos, batem os ombros de maneira enviesada e terminam com forte batido de pé.
Visualmente, o resultado de Rosa emociona. Existe uma potência visual na aparente simplicidade com que trata do tema, o que alerta para o poder arquetípico e simbólico da dança. Há em cada elemento o vigor das representações populares, algo que ninguém consegue explicar o motivo, mas que fascina a cada instante.
Oscar D’Ambrosio