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diárias de bordo

Semana da Cultura Nordestina (40)

Semana da Cultura Nordestina (40)
07/08/2020

Se Ana de Andrade traz uma imagem que evoca uma memória de infância; Milton Takada traz uma versão bem-humorada e crítica que mescla diversas culturas.

O trabalho "O sanfaunista no forró de Baco", que integra a série Heresias Mitológicas de Milton Takada, trabalha visualmente com o Fauno, divindade romana protetora de rebanhos e pastores, que sofre interferências simbólicas dos deuses Pã e Silvano, vinculados à natureza, e ainda com o Dioniso grego, ligado à origem do teatro, e o Baco romano, associado ao vinho e ao prazer.

Isso resulta em uma mescla de representações visuais. Takada vale-se da mítica imagem de um ser com chifres na cabeça e uma coroa de folhas, no presente casso de parreira, vinculada ao vinho, bebida ligada às origens religiosas do teatro e ao prazer.

O surpreendente, como a boa arte deve ser, está na ligação estabelecida entre o mítico e sensual ser divino e a sanfona própria da musicalidade do Nordeste brasileiro.

O misterioso e indagador trabalho fascina por lidar justamente com a fusão de tradições de origens distintas com um mesmo sentido, o de entender a arte como uma rica maneira de interpretar o mundo, lidando com o imaginário de diferentes origens para mostrar aquilo que pode nos unir: o som da sanfona, as delícias do vinho e o amor à natureza.

Oscar D’Ambrosio