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Semana da Cultura Nordestina (39)

Semana da Cultura Nordestina (39)
07/08/2020
Se Gerson Lima repensa o Nordeste com diversos elementos contemporâneos; Ana de Andrade traz uma imagem que evoca uma memória de infância.


O seu desenho digital provém de uma experiência pessoal com um acordeon, o instrumento que consagrou Luiz Gonzaga, cuja data de falecimento (2/8) motivou a criação da Semana da Cultura Nordestina.

 


Ela conta que, quando tinha seus 10 anos, seu pai comprou um acordeon italiano e a colocou em uma escola de música. Isso em Cajuru, interior paulista próximo a Ribeirão Preto. A criança atravessava a pequena cidade com o instrumento no peito e, embora não gostasse de tudo aquilo, aprendeu com facilidade.


Aos 13 anos, já manifestando aquela típica dor de barriga de criança que não deseja ir a um curso, já era chamada pelos colegas de “sanfoneira do sertão”. Desistiu de das aulas na adolescência, mas, aos domingos, depois do almoço, a pedido do pai, tocava para a família que pedia, repetidas vezes, a música “Baião”, imortalizada por Luiz Gonzaga.


Como a artista plástica confessa, “enquanto dedilhava as teclas, sonhava em tocar um violão já de olho na Jovem Guarda”. O acordeon “lindo e vermelho” ainda está com a sua família, mas Ana não se arrisca mais a tocar. Ela ainda pergunta, em tom de brincadeira: “Quem sabe perdi a oportunidade de ser uma sanfoneira arretada e não uma artista plástica!?”


Não conheço Ana de Andrade enquanto instrumentista, mas, como mostra a obra que acompanha este post, enquanto artista visual, algumas das suas qualidades são a abordagem visceral no desenvolvimento de temas, sejam eles ligados a memórias afetivas ou à condição feminina. Vendo-os, é possível ouvir o soar de uma sanfona interior.


Oscar D’Ambrosio