
Se Rodrigo Silva foca a Festa de São João, uma das mais tradicionais do Nordeste, Tito Lobo oferece em seu trabalho a riqueza visual de uma região.
Nascido em João Pessoa, PB, Tito Lobo atua como desenhista, pintor, gravador, escultor e cenógrafo – e essa versatilidade se reflete em seus trabalhos, que são, de diversas maneiras, pode-se dizer, a cara do Nordeste, pois reúnem numerosos aspectos da cultura local.
Uma dessas facetas, muito prevalente, é a cultura indígena, com a qual o artista teve contato por meio de seus avós, naturais de tribos indígenas da Paraíba e do Maranhão. Essa ancestralidade se mostra presente na maneira como lida com a intensidade das cores.
A maneira de representar rostos revela duas esferas de preocupações. Por um lado, o artista mergulha naquilo que realiza de modo a buscar o conhecimento da alma humana, inclusive da própria, pois ser artista é praticar esse adensamento existencial de maneira constante.
Além disso, quem vê suas obras tem a mesma percepção, ou seja, a jornada interna que o artista faz para criar estimula o mesmo tipo de movimento para que cada um se veja na densidade da obra e possa se conhecer melhor – o que nem sempre é fácil ou agradável.
Todo esse processo mostra que, além de lidar com as suas raízes pessoais e com o folclore do Nordeste, Tito Lobo, com suas imagens, penetra nos arquétipos que nos levam a pensar sobre o que fizemos até hoje com nossa vida e o que podemos fazer para o nosso próprio futuro, que está, é claro, vinculado ao da Humanidade como um todo.
Oscar D’Ambrosio