
Se Marinilda Boulay apresenta trabalhos que nos motivam a pensar sobre a literatura de cordel e a seu feliz casamento com a arte da xilogravura, Romário Batista nos faz pensar sobre as simbólicas lutas no sertão.
É num ambiente árido, caracterizado pela presença do amarelo, que se dá o mítico combate entre Lampião, o Rei do Cangaço, e o Diabo. E ambos, cada qual dentro de seu mundo, o humano e o divino, podem se apresentar como vencedores.
Um elemento muito significativo é a presença, do lado direito, de uma casa com o número 22, que evoca justamente a residência em que Romário Batista passou parte da sua infância e adolescência em Itamaraju, extremo sul da Bahia.
Intitulado “Lampião enfrenta o Capeta na Terra do Sol”, o trabalho, que integra a Série Arte Popular, consegue impactar o observador e transportá-lo para uma atmosfera em que o personagem histórico e o religioso se encontram em luta. Quem vencerá? Certamente aqueles que observam a obra com amor e cuidado.
Oscar D’Ambrosio