


Se Lourdes de Deus trabalha visualmente com a Festa de São João, Marinilda Boulay apresenta trabalhos que nos motivam a pensar sobre a literatura de cordel e a seu feliz casamento com a arte da xilogravura.
As obras “A Fabulosa história do Cordel”, “O Cordel em Guarabira-PB”, que inclui folhetos de cordel fixados com prendedores em fio de algodão na tela, “Os Beija-flores para J. Borges” e “São Francisco em Guarabira, para Adriano Dias” dela têm em comum justamente enfocar uma manifestação literária que veio para o Brasil com os portugueses, mas que assumiu no Nordeste brasileiro características próprias.
Presente em muitos Estados brasileiros, principalmente em Pernambuco, Ceará, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte, as impressões de poemas rimados apresentadas penduradas em cordas – ou cordéis, como é chamado em Portugal – ganharam espaço por aqui no século XVIII, com narrativas populares sobre lendas ou fatos históricos passados ou mais recentes.
Suas principais características são a métrica fixa e as rimas que resultam na musicalidade dos versos; a proximidade com o folclore, valorizando costumes locais e identidades regionais; e a interação com as xilogravuras (gravuras em madeira), que ilustram as páginas dos poemas impressos, aspecto que Marinilda Boulay valoriza em seus trabalhos sobre o tema.
Oscar D’Ambrosio