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Semana da Cultura Nordestina (25)

Semana da Cultura Nordestina (25)
05/08/2020

Se Analice Uchôa traz uma festa junina bem dentro da sua poética visual com os fundos de uma só cor, Helena Vasconcelos apresenta uma obra que reúne dois elementos muito importantes na cultura nordestina, as Pastorinhas e a Queima da Lapinha, que ocorre Dia de Reis, dia 6 de janeiro, à meia-noite, em diversas cidades, com destaque para Olinda, PE.

Na festa, as Pastorinhas, mostradas com destaque na pintura, têm um papel essencial. Essa tradição, também chamada de Pastoris, foi introduzida no Brasil pelos jesuítas no século XVI. Trata-se de um bailado folclórico de origem portuguesa em roupas coloridas e gestos movimentados de pessoas, geralmente moças (as pastoras), que, metaforicamente, vão, em dois cordões, um azul e outro encarnado, para Belém com o objetivo de homenagear o menino Jesus.

As Pastorinhas participam da Lapinha, nome utilizado para o presépio, ou seja, a representação do nascimento do Salvador. A Queima da Lapinha envolve os cantos das pastoras, orquestras de sopro e percussão, além da intensa participação do público.

O ritual inclui cantos de louvor ao Menino Jesus e retirada pelas pastorinhas das figuras sacras do presépio. As palhas e flores são transformadas em uma padiola ornamentada (conhecida como andor), que será queimada. A orquestra toca então músicas, geralmente o tradicional frevo “Vassourinhas”, dando fim ao ciclo natalino e início ao período das festividades de Momo, com pastorinhas e público dançando animadamente.

Diz a crença popular que a lapinha é queimada para que o material que enfeitou o presépio, considerado sagrado, não seja jogado no lixo. Se isso não acontecer, o ano não será bom. As cinzas, como símbolo de purificação, trariam boa sorte e eram tradicionalmente usadas para ungir os participantes do maracatu no Carnaval.

Quanta tradição que a imagem de Helena Vasconcelos evoca...

Oscar D’Ambrosio