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Semana da Cultura Nordestina (21)

Semana da Cultura Nordestina (21)
04/08/2020

Se Lídia Leite proporciona um mergulho em festas populares, como casamentos matutos, festas juninas e, principalmente, a Festa de São João; Ivone Mendes, com sua lírica visão do universo nordestino, propicia uma jornada pelo forró pé de serra.

Pelo uso das cores, principalmente o amarelo, e pela criação de uma atmosfera agradável a todos os sentidos, a artista, em “Forró Pé de Serra” nos leva a percorrer a história dessa expressão, usada para designar gêneros musicais ligados à festa do forró e executados tradicionalmente por trios instrumentais compostos por acordeon (sanfona), zabumba e triângulo.

A expressão “Forró pé de serra” está ligado ao forró ou forró tradicional e envolve diversos gêneros musicais, como xote, arrasta-pé, baião, xaxado, forró e rojão – e ainda inclui outros grupos, como maracatu, coco e frevo, desde que executados por trios com as características do forró.

O termo tem uma história bonita. Tudo começa com Januário, pai de Luiz Gonzaga, Rei do Baião, que, sanfoneiro, participava de muitas festas no Araripe, região montanhosa de Pernambuco. Daí surgiu a frase de ir tocar “forró no pé da serra”, que resultou em “forró pé de serra”’.

Luiz Gonzaga a utilizava quando mencionava sua infância e juventude, pois sua cidade natal, Exu, fica justamente aos pés da Serra do Araripe. Daí surgiram músicas como "Pé de Serra" (1942), "No meu pé de serra" (1946) e "Alegria de Pé de Serra" (1978).

Curiosamente, com o surgimento do movimento musical do forró eletrônico, na década de 1990, a expressão “forró pé de serra” passou a ser usada cada vez mais no sentido de forró tradicional, como o que Ivone Mendes mostra em seu quadro.

Oscar D’Ambrosio