

Se Silvia Maia foca a dor de uma mãe perante a miséria; Cácia Lima se debruça na arte do retrato para trazer duas imagens realizadas com sensibilidade.
A obra “Matuta”, pintada com tinta acrílica sobre tela, traz uma jovem com trajes típicos das festas juninas tão importantes para a cultura nordestina, com vestimentas tradicionais que se espalharam pelo Brasil. O termo usado no título está associado àqueles que vivem no interior ou na zona rural, sendo utilizado como sinônimo de caipira, roceiro ou sertanejo.
O trabalho de Cácia Lima é ainda uma homenagem especial aos portadores da Síndrome de Down. A ideia de fazer o quadro surgiu após a artista assistir ao filme brasileiro “Cromossomo 21”, que, no título, já aponta que o distúrbio genético que causa a Síndrome se deve a uma divisão celular anormal que resulta em material genético extra do cromossomo 21.
Dirigido por Alex Duarte, que escreveu o livro que originou o filme, a obra narra as relações afetivas entre uma jovem portadora da Síndrome de Down e um rapaz sem a Síndrome. Eles se apaixonam e enfrentam dificuldades e preconceitos, tratados no filme por um olhar que mostra limitações e capacidades de lidar com si mesmo e com o mundo.
O outro retrato é “Maria Bonita”, célebre companheira do cangaceiro Lampião. Ela aparece com um chapéu decorado com flores e num ambiente agreste, enquanto a Matuta surge numa atmosfera de festa junina. Ambas, cada qual com seu estilo e maneira de ver o mundo e de serem vistas por ele, compõem a Série “Mulher Guerreira”, de Cácia Lima.
Oscar D’Ambrosio