
Se Dani Vitório mergulha na musicalidade como o espaço em que as raízes se fazem mais profundas, Helena Vasconcelos realiza uma viagem pela história regional.
A sua imagem homenageia a pernambucana Zabé da Loca, cujo nome verdadeiro era Isabel Marques da Silva (12/1/1924 - Monteiro, 5/8/2017). Nascida no agreste, viu oito de seus 15 irmãos morrerem de fome e migrou para a Paraíba. Mas já tinha aprendido com um dos irmãos a tocar pífaro, instrumento tradicional do Nordeste brasileiro muito ligado à tradição oral, já que seu repertório em geral é tocado de ouvido, sem partitura.
Isabel trabalhou na roça, casou, ficou logo viúva e teve dois filhos, tudo com extrema dificuldade. Sua casa literalmente desmoronou e foi morar sob duas pedras na serra do Tungão, onde ficou durante 25 anos, até 2003. Daí veio seu apelido, pois loca (ou gruta) identificava a sua moradia, fechada por duas paredes de taipa perto da cidade de Monteiro.
Seu talento musical foi descoberto em 2003, aos 79 anos, pelo Programa Biblioteca Rurais Arca das Letras, do Ministério de Desenvolvimento Agrário. Gravou assim seu primeiro CD, “Canto do Semiárido”, com composições próprias e uma versão de “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
Daí para frente, obteve reconhecimento, apresentando-se, em 2004, no Fórum Cultural Mundial, no Brasil, ao lado de Hermeto Pascoal; e gravando, em 2007, o CD “Bom Todo”, com direção artística de Carlos Malta, além de ser condecorada, em 2008, com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura.
Ao ver a imagem de Helena Vasconcelos, toda essa história de dor e de dedicação á cultura nordestina de Zabé da Loca vem à tona.
Oscar D’Ambrosio