
Se João Generoso oferece a oportunidade de refletir sobre o termo caboclo; Edmar Fernandes enfoca, com muita cor e detalhe, o universo do forró.
“Forró no Bar”, nesse sentido, é uma apresentação de uma manifestação muito ligada à cultura nordestina. Como está escrito na parede do local pintado, “É proibido cochilar”. Essa frase certamente ilustra bem o espírito da festa, que ocorre durante todo o ano, mas que ganha ainda maior relevância na época das festas juninas.
O forró está associado a diversos gêneros musicais, como xote, baião, arrasta-pé e xaxado, cada um com características próprias, mas os instrumentos utilizados são tradicionalmente acordeão ("sanfona"), zabumba e triângulo.
Existe ainda o gênero musical especificamente conhecido como forró, criado por Luiz Gonzaga em 1958, dançado como o xote (“dois pra lá e dois pra cá”), que passou a ser conhecida também como dança do forró. Desde a década de 1990, surgiu ainda a denominação forró pé-de-serra, que aglutina diversos gêneros musicais.
O nome forró vem dos bailes populares, conhecidos em Pernambuco por "forrobodó", "forrobodança" e "forrobodão" em fins do século XIX, mas o sucesso se ampliou nos anos 1950, após Luiz Gonzaga gravar "Forró de Mané Vito", de sua autoria em parceria com Zé Dantas.
O gênero foi se espalhando por todo o Brasil com a gradativa migração dos nordestinos para outras regiões, principalmente Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. A maior popularidade, porém, é onde estão as maiores festas juninas do país (Caruaru, PE, e Campina Grande, PB), enquanto as capitais Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Maceió, recife, Teresina e Salvador, já têm uma tradição em festas e apresentações públicas e privadas do gênero.
A obra de Edmar Fernandes faz uma descrição completa da festa, com detalhes que incluem a decoração (próxima à das festas juninas), as comidas (o cardápio está na parede do salão pintado), as danças (com casais bem agarradinhos), as roupas (coloridas), a música (com o trio de instrumentistas no palco) e alegria por todos os cantos, o que é o mais importante!
Oscar D’Ambrosio