
Se Henrique Hammler realiza a sua homenagem à cultura nordestina enfocando um “grande brasileiro que muito nos orgulha”, Luiz Gonzaga; Luciana Mariano volta a sua atenção para a força da mulher nordestina, mostrando, em seu quadro, a célebre Maria Bonita, mas sem o companheiro Lampião.
Mas quem foi essa mulher baiana? Conhecida como Maria de Déa (nome da mãe) e, após sua morte, Maria Bonita (8/3/1911 – 28/7/1938), tornou-se a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros como companheira de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Ainda casada, em 1929, tornou-se a sua amante e fugiu com ele, vivendo juntos por nove anos.
Vaidosa, utilizava uma indumentária que a eternizou, com vestidos de seda, luvas com estampas florais, joias caras, broches e moedas de prata e enfeites de ouro decorando os cabelos. Usava o mesmo perfume francês que Lampião e, ao lado do companheiro nos combates, vestia botas de couro e roupas de algodão.
Sabe-se que ela era constantemente traída por Lampião e que, provavelmente, por vingança, tinha como amante o comerciante João Maria de Carvalho. A sua morte foi violenta. Ocorreu na Grota de Angicos, em Poço Redondo, no Sergipe, quando o bando de cangaceiros foi atacado de surpresa por uma patrulha da polícia, conhecida como volante.
Maria assistiu à morte do marido e de nove colegas a tiros. Com apenas 27 anos, tentando fugir, foi baleada duas vezes, uma no abdômen e outra nas costas, sendo, em seguida, decapitada viva por José Panta de Godoy, o mesmo integrante da volante que atirou nela.
O nome Maria Bonita surgiu após a sua morte. Acredita-se que tenha recebido essa denominação dos soldados impressionados com a sua beleza mesmo após ser decapitada. Assim, seu nome atravessa gerações a representar a força e a coragem da mulher nordestina.
Oscar D’Ambrosio