


Se Stevenson Moschini trouxe uma pintura que nos conta muito sobre a presença do maracatu nordestino em Piracicaba, SP; Parísina Éris Ilíade Tameirão Ribeiro, professora de Artes e artista visual apresenta trabalhos realizados em bordado livre sobre tecidos tingidos naturalmente com casca de pinhão e borra de café. Ela realiza também um quadro com detalhes no fundo com tinta acrílica.
O aspecto da cultura nordestino valorizado é o cangaço, um fenômeno ocorrido em quase todo o sertão brasileiro, entre o século XVIII e meados do século XX, que mescla heroísmo contra as forças oficiais com banditismo e crimes. O próprio termo cangaço vem da palavra canga, peça de madeira usada para prender junta de bois a carro ou arado, metaforicamente vista como submissão ao poder.
O cangaço, portanto, ocorreu pela formação de grupos armados que surgiram como uma maneira de defesa dos sertanejos diante de graves problemas sociais e da ineficácia do Estado em manter a ordem e aplicar a lei. No entanto, passou a incluir ataques desmedidos a cidades, cometendo pilhagens, assassinatos e estupros, numa ambiguidade entre o romantismo da luta contra a autoridades e a violência desmedida.
Nessa mescla de romantismo e agressividade sem freio, destaca-se a liderança mítica de Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, célebre pela relação com a companheira Maria Bonita. Aliás, a obra de Parísina se destaca justamente por tratar um tema de tamanha complexidade com sucesso dentro da leveza e delicadeza que o bordado permite.
Oscar D’Ambrosio