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Semana da Cultura Nordestina (4)

Semana da Cultura Nordestina (4)
02/08/2020

Se Papas Stefanos trouxe alguns elementos da cultura nordestina como a fotopintura, a chita e as festas juninas, Rosangela Politano nos encaminhou a obra “Cordel Encantado, o dia em que o cordel e a xilogravura transformaram a vida do nordestino em poesia".

Estão ali diversos elementos do imaginário nordestino, como o cangaceiro Lampião, o instrumentista e compositor Luiz Gonzaga, o místico Padre Cícero, o drama da seca, diversas festas populares, a lenda do Pavão Misterioso, a importância da xilogravura, representada pelo artista J. Borges, o encantamento proporcionado pela obra, pela personalidade e inteligência de Ariano Suassuna e o mítico Cego Aderaldo, poeta popular cearense que se imortalizou pelo raciocínio rápido no improviso de rimas e repentes.

Todos esses temas surgem na literatura de cordel e na expressão visual que lhe é associada, a xilogravura. A pintura de Rosangela Politano traz numerosos dos temas desenvolvidos por artistas populares de forma rimada, com origem em relatos orais depois levados para folhetos. Suas origens estão no Renascimento e seu nome vem da tradição lusa de pendurá-los em barbantes para venda.

A associação com ilustrações feitas em gravura aproximou poetas e artistas visuais, sendo que alguns desempenham as duas funções. As estrofes, de dez, oito ou seis versos, podem ser recitadas com melodia e cadência e acompanhamento de viola, mas também são lidas de maneira empolgada, sendo que geralmente apenas uma parte é declamada em público, pois a ideia é chamar compradores para os folhetos.

A importância dessa manifestação é tamanha que existe a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro, fundada em 1988, e há a comemoração do Dia do Cordelista, em 19 de novembro, data de nascimento do célebre Leandro Gomes de Barros.

Em 2018, como aponta a obra de Rosangela Politano, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional reconheceu a literatura de cordel como patrimônio cultural imaterial do Brasil, o que constitui uma importante valorização de uma forma de expressão ímpar e característica da Cultura Nordestina.

Oscar D’Ambrosio