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Arte em tempo de coronavírus (530)

Arte em tempo de coronavírus (530)
01/08/2020

A questão do confinamento ao qual nos submetemos, seja pela pandemia, seja por medos interiores, poucas vezes surge de maneira tão evidente como na escultura “Sentimentos reclusos”, de Samuel Júnior, de Sorocaba, SP. O artista consegue desvendar a alma humana o lidar com aço reutilizado.

O trabalho que acompanha este post representa, de maneira plástica, com leveza na execução, mas densidade no pensamento, o momento existencial que a pandemia gerou. O ficar em casa, sozinho ou acompanhado, levou a um movimento de interiorização sobre aquilo que fizemos, como estávamos nos comportando e quais os planos para o futuro.

A percepção sobre para onde devemos olhar e o que se pode buscar se faz muito presente na escultura e neste momento vivencial. Talvez a grande questão seja justamente que o ser humano se treinou para buscar a felicidade fora de si quando é dentro de suas potencialidades que poderia reunir forças para se amar e para se entregar de fato ao próximo.

A obra de Samuel Júnior gera perguntas sobre quem de fato somos, o que fazemos, como nos relacionamentos com a vida, onde nos posicionamos no mundo e por que tomamos as nossas decisões. Desempenha assim o grande papel da arte, que é justamente o de gerar perguntas. Cabe a cada um buscar as melhores respostas e soluções que puder encontrar.

Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br