
Com o uso obrigatório de máscaras, os olhos passaram a ser os principais elos de comunicação entre as pessoas. Sem a boca aparente, em que era possível captar sorrisos, as expressões da testa, lágrimas ou olhos marejados se tornaram caminhos de comunicação. Novas possibilidades de conhecimento e de percepção do mundo foram se instaurando.
“Olhos perdidos”, de Rosemberg Alves do Prado, de Manaus, AM, traz essa discussão de uma maneira visualmente lúdica. Pintado em óleo sobre tela, o trabalho acaba por fazer um amálgama visual de situações em que os olhos e olhares são importantes. Eles surgem dispersos, confusos, mas inter-relacionados.
As linhas que facilitam esse diálogo podem funcionar como caminhos existenciais a nos orientar ou a nos dispersar. Não existe resposta certa ou errada na busca por si mesmo e pelo outro. A grande questão está em como as veredas que percorremos são trilhas que podem nos afastar ou aproximar de nossos semelhantes.
Perante a obra, o nosso olhar encontra outros no que pode ser uma rica troca de conhecimentos. A utilização da cor também auxilia nesse processo em que as possibilidades de interpretação se multiplicam à medida em que os detalhes estimulam procuras e encontros em meio aos diversos olhares.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br