
Cada obra de arte é uma digital do artista. É ali que está o seu autêntico DNA, o começo de tudo. É nesse momento que cada um expressa, talvez da forma mais verdadeira, a sua relação com o mundo, proporcionando ao observador as mais diversas interpretações daquilo que chamamos realidade. Nesse sentido, a pintura “Pandemia”, de Romário Batista, de Vila Velha, ES, apresenta uma visão peculiar do momento que o mundo atravessa. As imagens estão cercadas por quatro termos fundamentais neste momento histórico: COVID-19 (a doença), Hidroxicloroquina (a promessa, para alguns, de cura), Os Dias Reclusos (o desafio) e Quarentena (que se estendeu, em alguns casos por quatro meses). Em meio a isso, os dizeres na parte central “Ainda Não É o Fim”, na área superior, e “Pandemia”, na inferior, compõem um conjunto em que o tom sombrio do preto sobre o branco e a onipresença das imagens do novo coronavírus surgem para compor a atmosfera de um planeta contaminado. A presença de pessoas com máscara e o diálogo entre as linhas retas e curvas estimula a pensar sobre o momento que estamos vivendo, em que a quantidade de incertezas ainda se apresenta como gigantesca. A pintura de Romário Batista pode ser considerada, nesse aspecto, como uma manifestação das inquietações de cada um de nós. Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão. Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br