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Arte em tempo de coronavírus (520)

Arte em tempo de coronavírus (520)
29/07/2020

Existem diversas formas de encarar a arte. Duas delas são célebres e nos ajudam a ter uma visão mais profunda de obras como “Olhar”, de Rejane Melo, de Manaus, AM. Pintada com tinta acrílica sobre tela, coloca em primeiro plano um olho, parte do corpo que vem ganhando enorme relevância com o uso de máscaras como forma de proteção contra a COVID-19.

Cabe lembrar que Platão dizia que os artistas não deveriam participar de sua ideal República, porque cada representação que faziam era um afastamento daquilo que viam no mundo, o que, por sua vez, já era apenas uma aparência do ideal mundo das essências, que só poderia ser atingido pela filosofia, ou seja, pelo pensamento abstrato.

Nessa visão, cada representação plástica afastaria mais as pessoas da Verdade do mundo. Em contrapartida, Aristóteles valorizava a arte, entendendo estar nela a capacidade de fragmentar a realidade para conhecer minuciosamente as suas partes. Isso levaria a uma dimensão mais profunda da compreensão do todo.

O olho de Rejane Melo é aristotélico, pois, observando aquilo que o compõe, temos uma rica interpretação. O diálogo entre as cores, com a predominância do azul, no cabelo e nos olhos, e do vermelho, no rosto, gera uma imagem plena de expressão. A aristotélica proximidade do olho nos traz assim a possibilidade observar detalhadamente a alma de cada um de nós.

Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br