
A composição e o ritmo são elementos essenciais de uma obra de arte. É por intermédio dessas variáveis que se torna possível ter uma reflexão mais aprofundada daquilo que se vê. Não se trata de limitar as emoções na interpretação, mas sim de ampliar a percepção de como certos recursos técnicos podem auxiliar a mergulhar em um trabalho plástico.
No atual momento de pandemia que o mundo vivencia, a obra “Paz e Serenidade”, de Pedro Amadeu, de São Paulo, SP, oferece uma excelente oportunidade de perceber como o lidar com as formas pode ser uma maneira de transmitir determinados estados de espírito. No presente caso, o equilíbrio e a harmonia auxiliam a enfrentar um momento de incertezas.
A obra é dividida por uma linha horizontal em duas metades, o que cria uma espécie de rebatimento que auxilia a estabelecer equilíbrio e harmonia. Não se trata, porém, de conceber duas partes iguais, mas de estabelecer um movimento plástico que guia nosso olho por meio de subidas e descidas no eixo horizontal da imagem.
A paz e serenidade propostas por Pedro Amadeu também são estimuladas pelas tonalidades da obra e por uma estabilidade plena de significado simbólico. O dinamismo existente pode ser encontrado justamente em uma caminhada visual na qual se torna possível encontrar uma certa estabilidade, essencial no presente momento de crise de saúde pública e econômica.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br