
Qual é a essência de nossa existência? Ao ver a obra “Existência”, de Ge Guevara, essa pergunta ganha múltiplos sentidos. Obcecados pelo ter, muitas vezes deixamos de lados aquilo que nos torna melhores pessoas perante o mundo e perante nós mesmos. A arte, nesse sentido, desempenha um importante papel.
O céu agradável, as colinas ao fundo, a igreja e uma árvore em que crianças de várias cores de pele brincam juntas são os sinais que a artista dá de sua concepção de mundo, marcada justamente pela harmonia, pelo equilíbrio e pelo ato de viver comunidade em contato direto com a natureza.
Os animais domésticos são inseridos nesse ambiente e se integram ao todo dentro de uma construção visual em que não há protagonistas, mas a construção visual de um local prazeroso em que a felicidade se torna possível e pode ser encontrada desde que cada um se liberte de medos e preconceitos, abrindo a alma e o coração para uma vida plena.
O tratamento visual dado por Ge Guevara à àrvore, ao rio e ao campo auxilia na composição de uma atmosfera de interação entre todos esses elementos. Surgem daí duas linhas de interpretação. Estamos diante de um Paraíso perdido e irrecuperável ou, como preferimos pensar, uma Existência ideal que pode ser vivenciada, mas para qual esquecemos de olhar.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br