
A arte é um interpretar da realidade. Perante aquilo que julgamos conhecer, aparecem três alternativas: pode-se buscar copiar o real, construir plasticamente um local melhor daquele que vivemos ou, numa perspectiva apocalíptica, realizar manifestações visuais de miséria e destruição.
John (@omaisousado), no trabalho “Desprender no Infinito”, traz uma imagem caracterizada pela explosão da cor. Nosso olhar se abre para o ilimitado universo da imaginação e das leituras possíveis que cada obra visual motiva de acordo com o referencial de quem a vê. Nesse aspecto, há na obra uma libertação de energia cósmica e pessoal.
O círculo vermelho é umas fontes de atração de nosso olhar. A utilização do amarelo e do verde dá um ritmo que auxilia a observação mais cuidadosa dos detalhes, inclusive com a presença de arabescos, que transmitem dinamismo ao conjunto, percepção acentuada pelas manchas coloridas ao fundo.
Encanta na obra a movimentação da figura central, que se desloca pelo espaço proposto com leveza e agilidade. O fascínio está justamente nessa caminhada de um lugar para outro e talvez do nada para lugar algum, dentro da premissa de que somos seres em constante transformação. Assim, como mostra John, a inquietação de nosso sonho de viver permanece.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br