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Arte em tempo de coronavírus (501)

Arte em tempo de coronavírus (501)
23/07/2020

Muitas vezes, durante a presente pandemia, tem-se a falsa impressão que esse é o único problema do ser humano. Não há dúvidas dos efeitos catastróficos da COVID-19 em termos de perda de vidas, de sofrimento de famílias e de consequências econômicas, mas questões cruciais muitas vezes esquecidas ou escamoteadas estão vindo à tona neste momento.

A obra de Lucio Tamino que acompanha este post é uma demonstração disso. Temos a presença de um ser poderoso, com um bastão indicando seu poder em uma das mãos e um maço de notas na outra. Seu rosto e a “cabeça” do símbolo imperial estão marcados pela imagem do novo coronavírus, mas o que eles representam está muito além.

A ideia da dominação por um ser onipotente é ancestral. Ele pode ter como ícone a gravata dos magnatas e burocratas ou algo semelhante, mas sempre ilustra a concentração de muito nas mãos de poucos. Uma forma visual de cristalizar esse pensamento está no poder divino atribuído aos faraós, cujos túmulos eram as célebres pirâmides.

Essa forma de poder concentrado é contrária à própria estrutura circular do planeta Terra, que indica para algo mais democrático e plural. As desigualdades sociais que vem sendo colocadas à mostra durante a pandemia são explicitadas de maneira visual por Lucio Tamino. Resta a esperança de que imagens como esta auxiliem para uma conscientização presente e futura.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br