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Arte em tempo de coronavírus (500)

Arte em tempo de coronavírus (500)
22/07/2020

Um dos efeitos da pandemia é que cada pessoa foi obrigada a se voltar para si mesma. Perante o isolamento social imposto pelo novo coronavírus, tornou-se essencial uma reflexão sobre o que cada um de nós representa no mundo e sobre o que fizemos, fazemos e podemos fazer para o nosso bem e o da coletividade.

A obra “Grande Encontro”, de Luiz Mota, de Poços de Caldas, MG, traz uma representação desse instante em que cada um mergulha em si mesmo e busca se conectar com aquilo que tem de melhor, ligando-se também a uma divindade superior ou a um outro plano, numa busca permanente por aperfeiçoamento.

A posição de olhos fechados, acentuada pelo tom avermelhado, que dá certa dramaticidade à cena, nos recorda da necessidade de como o parar a correria cotidiana torna-se essencial para uma melhor compreensão daquilo que nos rodeia. Nesse aspecto, a utilização do branco, na barba, no cabelo e nas unhas, demonstra a busca por uma composição harmônica.

Luiz Mota consegue o equilíbrio de sua obra graças à divisão da obra em duas metades por meio de uma imaginária linha vertical, com o lado direito levemente escurecido, o que também contribui decisivamente para gerar uma atmosfera de intimismo, aludindo à  procura de cada indivíduo pela sua vereda interior, que o levará a uma maior conexão com os cosmos.

Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br