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Arte em tempo de coronavírus (493)

Arte em tempo de coronavírus (493)
19/07/2020

 

A escultura de Gustavo Rodrigues Bueno, de Sorocaba, SP, que relaciona o célebre monstro criado por Victor Frankenstein com o novo coronavírus é uma excelente oportunidade para refletir como as obras de arte caminham e se transformam ao longo do tempo. Romance de terror gótico, “Frankenstein ou o Prometeu Moderno” foi publicado em 1818.

Considerada a primeira obra literária de ficção científica, foi escrita pela britânica Mary Shelley, que tinha apenas 19 anos. A narrativa conta como Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais, constrói um monstro em seu laboratório. A imagem criada por Gustavo remete à do filme “Frankenstein”, de 1931, com Boris Karloff no papel do Monstro.

Foi ali que surgiu o personagem de cabeça chata, eletrodos no pescoço e movimentos pesados e desajeitados. Curiosamente, no livro, ele é descrito como extremamente ágil. Além disso, ao contrário do que se costuma representar no cinema, a criatura de Frankenstein não era verde, mas amarela.

O ser criado por Victor não tinha nome. É chamado de “criatura”, “monstro”, “demônio” e “desgraçado” pelo seu criador. Como ele é “filho” do cientista, acabou por assumir o sobrenome dele. A criação de Gustavo Rodrigues Bueno nos lembra que, assim como era preciso tomar cuidado com o Monstro literário, estar alerta contra a COVID-19 é essencial.

Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br